03 abril, 2013

Torre de Moncorvo celebra Semana da Primavera Biológica

No âmbito da Semana da Primavera Biológica, iniciativa do Movimento Plantar Portugal, o Município de Torre de Moncorvo aderiu através da organização de diversas atividades com a finalidade de motivar a sociedade para a adoção de estilos de vida mais saudáveis, ecológicos e sustentáveis.

Feira Medieval 2013 - Fotografias 2





Fotografias da Feira Medieval que teve lugar no dia 15 de março em Torre de Moncorvo.

21 março, 2013

Feira Medieval

O Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo realizou no dia 15 de março, pela segunda vez, a Feira Medieval, com a colaboração da autarquia.
Se a escola deve estabelecer pontes com os encarregados de educação e com a comunidade, a realização deste evento parece-me especialmente vocacionada  para o fazer, conseguindo talvez ir mais além dos objetivos previstos.
O desfile tomou forma junto às instalações do Agrupamento de Escolas. Os professores e educadores vestiram farda de generais ou de fadas madrinhas, conforme o grau de ensino e organizaram as tropas/duendes com o rigor necessário para colocar as hostes em ordem e em marcha. Participaram no desfile um conjunto de alunos de outros países uma vez que se encontravam e Moncorvo um grupo de 27 alunos e 19 professores vindos da Polónia, Roménia Turquia e Espanha, ao abrigo do Projeto Coménius.
 Não estive presente na primeira edição (há dois anos atrás) e estava expectante com o que se iria passar.
O cortejo, já completamente organizado subiu a Corredoura e a rua Tomás Ribeiro em direção à praça Francisco António Meireles, onde o aguardava uma considerável multidão. Não pude deixar de comparar este desfile com os desfiles de carnaval de há um mês atrás. Sinceramente achei este muito mais interessante, bonito, educativo e mesmo interessante para os alunos. As artes, a literatura e a história são áreas que podem explorar este tipo de eventos.
Nas escadas que dão acesso ao Castelo/Câmara Municipal estava montado o cenário para a próxima cena.  A nobreza e o clero, acompanhados pelos seus súbditos tomaram os seus lugares e foi lida a carte da feira, vinda diretamente das cortes de D. Dinis com a presença do monarca e da rainha Santa Isabel. Os direitos e deveres dos feirantes, os impostos sobre transações comerciais  fizeram parte deste apontamento histórico de grande interesse e com grande impacto cénico.
A multidão vibrou com a lutas de espada e a cavalo e riu com  a figura grotesca de um pedinte que tentou aproximar-se de sua majestade, sendo prontamente detido  e afastado pela guarda real.
O cortejo rumou depois para o largo General Claudino onde estava montado o mercado.
Depois de uma visita às tasquinhas e bancos de venda as figuras ilustres ocuparam os seus caldeirões no adro da imponente igreja matriz onde se desenvolveram as mais variadíssimas atividades. Houve danças medievais, teatro, lutas, exibição de cetraria e música, muita música vinda do planalto mirandês com uma sonoridade bem conhecida e agradável. Tanta música teve um propósito, esperar pela chagada de sua excelência o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
 Elementos do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local tomaram posição e quando o "chefe supremo" chegou envolto num batalhão de GNR e acompanhado de um grupo de ambiciosos com sorrisos amarelos decidiu fazer um passeio rápido e regressar apressadamente ao seu luxuoso automóvel estacionado bem próximo, não fosse o diabo tece-las. Desprezou a "nobreza" e o "clero", que se fartaram de o esperar no adro da igreja, mas que rapidamente o esqueceram, envoltos na magia do "povo".
 Na feira o movimento era enorme. A par da quantidade e variedade dos figurantes, cerca de 700, foi o entusiasmo da feira o que mais me surpreendeu. Vendiam-se a um ritmo admirável feijões, azeite, grelos, amêndoas, queijo, pão, licores, .. muitos bolos. O preço era de saldo  e parece que o concelho inteiro acorreu àquela feira! E compravam felizes!
Pela tarde ainda houve o "assalto ao castelo" e há noite a ceia tradicional e a representação da peça de teatro "A farsa de Inês Pereira" pelo grupo de teatro local, Alma de Ferro. Elemento deste grupo de teatro participaram também durante o dia encarnando vários personagens que deram um ar mais "real" aos vários acontecimentos que foram tendo lugar.
O sucesso deste evento não deixa margem para dúvidas, certamente que será uma iniciativa a repetir nos próximos anos. Parabéns a todos os que participaram e organizaram.

18 dezembro, 2012

Souto da Velha (03)

Uma combinação de cores e de trabalhos em ferro forjado, em Souto da Velha, concelho de Torre de Moncorvo.

13 dezembro, 2012

08 dezembro, 2012

A cruz gamada

Teodoro não tinha ideias próprias e o excesso de coisas que decorava enchiam-lhe demasiado a cabeça para conseguir usá-las com alguma vantagem. Ainda não tinha descoberto o caminho para a imaginação e tudo aquilo que coleccionava, do seu mundo pequeno, acumulava-se na sua memória sem nexo nem relação. Teodoro não conseguia deixar as palavras sair na altura certa nem sabia como colocar-se acima delas. Retinha-as demasiado tempo e tinha dificuldade em manter diálogos porque as respostas surgiam-lhe fora de tom, depois de uma mudança de assunto ou de contexto e estava quase sempre atrasado em relação às coisas. Teodoro via tudo pelos olhos dos outros e só começou a interessar-se por Raquel porque Edgar a tinha posto em evidência, na sua beleza precisa e na forma como ela tornava interessante tudo o que a rodeava.
Edgar roubava coisas da mercearia do pai; apesar do controlo e do inventário rigoroso que o pai mantinha, ele conseguia antecipar-se e oferecia-as a Teodoro. O problema é que isso se tornou um hábito e mesmo na escola ou na igreja, Edgar ficava com tudo aquilo que coubesse no bolso e passasse despercebido. Uma vez, no final da catequese, saiu da igreja cheio de presunção e quando estava do lado de fora, a uma distância razoável, estendeu a mão a Teodoro e mostrou-lhe uma grande cruz de prata que estava em cima de uma cómoda na sacristia. Teodoro olhou para ela e encontrou uma correspondência positiva na sua memória, «tem a forma da nossa aldeia». Era a cruz da crucificação, com dois braços a mais para além do principal e com a inscrição INRI ao alto e um dos braços na diagonal aonde assentavam os pés de Cristo.
Edgar disse que era uma cruz roubada, «é uma cruz gamada, faremos uma maior esta semana para o nosso cemitério de animais». E para isso tiveram de voltar a matar. Andaram à procura de lagartixas à hora do calor na fraga e como não conseguiam acertar-Ihes com pedras decidiram capar todos os grilos que Edgar tinha acumulado numa caixa de sapatos, para os usar mais tarde, como isco nas armadilhas de pássaros.
Enfiavam uma palha de trigo através do abdómen de um grilo e colocavam-no suspenso entre os dedos das duas mãos, depois batiam as palmas e o grilo estava capado.
Havia duas caixas de papelão cheias de grilos com folhas de alface à espera de vez para morrer. Edgar era o mais rápido e com as mãos sujas do serviço dizia, «dois rabos são grilos, três são grilas, mas capamos tudo, porque já estão velhos e precisamos de muitos para encher uma cova».
Raquel andava a colher flores e Teodoro juntava os grilos mortos ainda a pulsar entre patas e apêndices dispersos numa das caixas. Oscar tinha descoberto uma buraca e andava com uma palhinha a pressionar grilos para saírem e juntarem-se à matança. Mas como não estava a conseguir, esgravatou com um pau mais grosso e depois abriu as calças e urinou lá para dentro.
Quando Edgar terminou de capar os grilos, pegou em dois paus de videira para fazer a cruz, arranjou dois pedaços mais curtos e enleou-os com os ramos de uma giesta. Teodoro andava bem disposto e começou a fazer uma cova, «enterramo-los aqui». E depois ergueu-se, olhou em redor e perguntou, «quem é que quer fazer de padre? Eu nunca fiz».
Teodoro era muito influenciável e aproveitava a sua memória infinita para reproduzir comportamentos de pessoas com alguma preponderância. Era capaz de reproduzir uma aula dada pela sua professora ou uma Missa pelo padre, mas quando ele tomava à letra as palavras deles, tudo soava a imitação, era um actor que decorava bem o papel, mas não sabia o que estava a dizer. Tinha poucas oportunidades de mostrar o que sabia e mais uma vez, foi Raquel a tomar nas mãos a cruz que Edgar tinha feito e a espalhar as flores e um cântico sobre a vala comum em que tinham enterrado os grilos.

Excerto do livro Trás-os-Montes da autoria de Tiago Patrício, que viveu em Carviçais até aos 19 anos. Gradiva, 2012.

07 novembro, 2012

Apresentação pública do livro OS ISIDROS

Decorreu no pretérito dia 3 de novembro, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, a apresentação pública do livro OS ISIDROS – A epopeia de uma família de cristãos-novos de Torre de Moncorvo. Tratou-se de uma sessão com elevada presença das gentes residentes naquela prestigiada vila transmontana.
A sessão foi aberta com  presença do Exm.º Presidente  do Município, Eng. Aires Ferreira. A sua intervenção foi marcada pela  preocupação  que sempre houve em preservar este espólio cultural, gastronómico e urbanístico, que é de todos, que importa preservar e que, felizmente,  na sua essência se mantém inalterado.
 A apresentação propriamente dita  esteve  a cargo dos próprios autores, delineando cada um deles uma visão distinta da obra e,  por essa  razão, muito contribuiu para enriquecimento da mesma.  De um lado a coautora a apresentá-la com a minúcia que a ciência exige, a povoar as ruas com as figuras da época, por outro, o coautor, residente na vila, que conhece como ninguém os lugares, a delinear um “roteiro cultural temático”, com base nas fotografias que integram a obra, apelidado de Rota dos Judeus em Torre de Moncorvo e que pode muito bem ser a génese um produto turístico para a Vila.
A sessão terminou com a tradicional sessão de autógrafos, seguido de  um Porto de Honra gentilmente oferecido pelo Município a todos aqueles que quiseram marcar presença na Biblioteca Municipal para descobrir  muito da sua identidade cultural e, provavelmente,  até genética.

23 outubro, 2012

Chafariz


Praça Francisco António Meireles, com o seu Chafariz filipino datado de 1636, em Torre de Moncorvo.

08 outubro, 2012

Carviçais

Casas em Carviçais.

03 outubro, 2012

Praça Francisco António Meireles


Praça Francisco António Meireles com Chafariz Filipino
Chafariz filipino datado de 1636, tendo sido desmontado no século XIX, restando apenas a taça e a base. Mais tarde, foi reconstituído e reposto na Praça Francisco Meireles.
Ao fundo o edifício do tribunal.