03 abril, 2013
Torre de Moncorvo celebra Semana da Primavera Biológica
No âmbito da Semana da Primavera Biológica, iniciativa do Movimento
Plantar Portugal, o Município de Torre de Moncorvo aderiu através da
organização de diversas atividades com a finalidade de motivar a
sociedade para a adoção de estilos de vida mais saudáveis, ecológicos e
sustentáveis.
26 março, 2013
21 março, 2013
Feira Medieval
O Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo realizou no dia 15 de março, pela segunda vez, a Feira Medieval, com a colaboração da autarquia.
Se a escola deve estabelecer pontes com os encarregados de educação e com a comunidade, a realização deste evento parece-me especialmente vocacionada para o fazer, conseguindo talvez ir mais além dos objetivos previstos.
O desfile tomou forma junto às instalações do Agrupamento de Escolas. Os professores e educadores vestiram farda de generais ou de fadas madrinhas, conforme o grau de ensino e organizaram as tropas/duendes com o rigor necessário para colocar as hostes em ordem e em marcha. Participaram no desfile um conjunto de alunos de outros países uma vez que se encontravam e Moncorvo um grupo de 27 alunos e 19 professores vindos da Polónia, Roménia Turquia e Espanha, ao abrigo do Projeto Coménius.
Não estive presente na primeira edição (há dois anos atrás) e estava expectante com o que se iria passar.
O cortejo, já completamente organizado subiu a Corredoura e a rua Tomás Ribeiro em direção à praça Francisco António Meireles, onde o aguardava uma considerável multidão. Não pude deixar de comparar este desfile com os desfiles de carnaval de há um mês atrás. Sinceramente achei este muito mais interessante, bonito, educativo e mesmo interessante para os alunos. As artes, a literatura e a história são áreas que podem explorar este tipo de eventos.
Nas escadas que dão acesso ao Castelo/Câmara Municipal estava montado o cenário para a próxima cena. A nobreza e o clero, acompanhados pelos seus súbditos tomaram os seus lugares e foi lida a carte da feira, vinda diretamente das cortes de D. Dinis com a presença do monarca e da rainha Santa Isabel. Os direitos e deveres dos feirantes, os impostos sobre transações comerciais fizeram parte deste apontamento histórico de grande interesse e com grande impacto cénico.
A multidão vibrou com a lutas de espada e a cavalo e riu com a figura grotesca de um pedinte que tentou aproximar-se de sua majestade, sendo prontamente detido e afastado pela guarda real.
O cortejo rumou depois para o largo General Claudino onde estava montado o mercado.
Depois de uma visita às tasquinhas e bancos de venda as figuras ilustres ocuparam os seus caldeirões no adro da imponente igreja matriz onde se desenvolveram as mais variadíssimas atividades. Houve danças medievais, teatro, lutas, exibição de cetraria e música, muita música vinda do planalto mirandês com uma sonoridade bem conhecida e agradável. Tanta música teve um propósito, esperar pela chagada de sua excelência o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Elementos do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local tomaram posição e quando o "chefe supremo" chegou envolto num batalhão de GNR e acompanhado de um grupo de ambiciosos com sorrisos amarelos decidiu fazer um passeio rápido e regressar apressadamente ao seu luxuoso automóvel estacionado bem próximo, não fosse o diabo tece-las. Desprezou a "nobreza" e o "clero", que se fartaram de o esperar no adro da igreja, mas que rapidamente o esqueceram, envoltos na magia do "povo".
Na feira o movimento era enorme. A par da quantidade e variedade dos figurantes, cerca de 700, foi o entusiasmo da feira o que mais me surpreendeu. Vendiam-se a um ritmo admirável feijões, azeite, grelos, amêndoas, queijo, pão, licores, .. muitos bolos. O preço era de saldo e parece que o concelho inteiro acorreu àquela feira! E compravam felizes!
Pela tarde ainda houve o "assalto ao castelo" e há noite a ceia tradicional e a representação da peça de teatro "A farsa de Inês Pereira" pelo grupo de teatro local, Alma de Ferro. Elemento deste grupo de teatro participaram também durante o dia encarnando vários personagens que deram um ar mais "real" aos vários acontecimentos que foram tendo lugar.
O sucesso deste evento não deixa margem para dúvidas, certamente que será uma iniciativa a repetir nos próximos anos. Parabéns a todos os que participaram e organizaram.
Se a escola deve estabelecer pontes com os encarregados de educação e com a comunidade, a realização deste evento parece-me especialmente vocacionada para o fazer, conseguindo talvez ir mais além dos objetivos previstos.
O desfile tomou forma junto às instalações do Agrupamento de Escolas. Os professores e educadores vestiram farda de generais ou de fadas madrinhas, conforme o grau de ensino e organizaram as tropas/duendes com o rigor necessário para colocar as hostes em ordem e em marcha. Participaram no desfile um conjunto de alunos de outros países uma vez que se encontravam e Moncorvo um grupo de 27 alunos e 19 professores vindos da Polónia, Roménia Turquia e Espanha, ao abrigo do Projeto Coménius.
Não estive presente na primeira edição (há dois anos atrás) e estava expectante com o que se iria passar.
O cortejo, já completamente organizado subiu a Corredoura e a rua Tomás Ribeiro em direção à praça Francisco António Meireles, onde o aguardava uma considerável multidão. Não pude deixar de comparar este desfile com os desfiles de carnaval de há um mês atrás. Sinceramente achei este muito mais interessante, bonito, educativo e mesmo interessante para os alunos. As artes, a literatura e a história são áreas que podem explorar este tipo de eventos.
Nas escadas que dão acesso ao Castelo/Câmara Municipal estava montado o cenário para a próxima cena. A nobreza e o clero, acompanhados pelos seus súbditos tomaram os seus lugares e foi lida a carte da feira, vinda diretamente das cortes de D. Dinis com a presença do monarca e da rainha Santa Isabel. Os direitos e deveres dos feirantes, os impostos sobre transações comerciais fizeram parte deste apontamento histórico de grande interesse e com grande impacto cénico.
A multidão vibrou com a lutas de espada e a cavalo e riu com a figura grotesca de um pedinte que tentou aproximar-se de sua majestade, sendo prontamente detido e afastado pela guarda real.
O cortejo rumou depois para o largo General Claudino onde estava montado o mercado.
Depois de uma visita às tasquinhas e bancos de venda as figuras ilustres ocuparam os seus caldeirões no adro da imponente igreja matriz onde se desenvolveram as mais variadíssimas atividades. Houve danças medievais, teatro, lutas, exibição de cetraria e música, muita música vinda do planalto mirandês com uma sonoridade bem conhecida e agradável. Tanta música teve um propósito, esperar pela chagada de sua excelência o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Elementos do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local tomaram posição e quando o "chefe supremo" chegou envolto num batalhão de GNR e acompanhado de um grupo de ambiciosos com sorrisos amarelos decidiu fazer um passeio rápido e regressar apressadamente ao seu luxuoso automóvel estacionado bem próximo, não fosse o diabo tece-las. Desprezou a "nobreza" e o "clero", que se fartaram de o esperar no adro da igreja, mas que rapidamente o esqueceram, envoltos na magia do "povo".
Na feira o movimento era enorme. A par da quantidade e variedade dos figurantes, cerca de 700, foi o entusiasmo da feira o que mais me surpreendeu. Vendiam-se a um ritmo admirável feijões, azeite, grelos, amêndoas, queijo, pão, licores, .. muitos bolos. O preço era de saldo e parece que o concelho inteiro acorreu àquela feira! E compravam felizes!
Pela tarde ainda houve o "assalto ao castelo" e há noite a ceia tradicional e a representação da peça de teatro "A farsa de Inês Pereira" pelo grupo de teatro local, Alma de Ferro. Elemento deste grupo de teatro participaram também durante o dia encarnando vários personagens que deram um ar mais "real" aos vários acontecimentos que foram tendo lugar.
O sucesso deste evento não deixa margem para dúvidas, certamente que será uma iniciativa a repetir nos próximos anos. Parabéns a todos os que participaram e organizaram.
18 dezembro, 2012
Souto da Velha (03)
Uma combinação de cores e de trabalhos em ferro forjado, em Souto da Velha, concelho de Torre de Moncorvo.
13 dezembro, 2012
08 dezembro, 2012
A cruz gamada
Teodoro não tinha ideias próprias e o excesso de coisas que decorava enchiam-lhe demasiado a cabeça para conseguir usá-las com alguma vantagem. Ainda não tinha descoberto o caminho para a imaginação e tudo aquilo que coleccionava, do seu mundo pequeno, acumulava-se na sua memória sem nexo nem relação. Teodoro não conseguia deixar as palavras sair na altura certa nem sabia como colocar-se acima delas. Retinha-as demasiado tempo e tinha dificuldade em manter diálogos porque as respostas surgiam-lhe fora de tom, depois de uma mudança de assunto ou de contexto e estava quase sempre atrasado em relação às coisas. Teodoro via tudo pelos olhos dos outros e só começou a interessar-se por Raquel porque Edgar a tinha posto em evidência, na sua beleza precisa e na forma como ela tornava interessante tudo o que a rodeava.
Edgar roubava coisas da mercearia do pai; apesar do controlo e do inventário rigoroso que o pai mantinha, ele conseguia antecipar-se e oferecia-as a Teodoro. O problema é que isso se tornou um hábito e mesmo na escola ou na igreja, Edgar ficava com tudo aquilo que coubesse no bolso e passasse despercebido. Uma vez, no final da catequese, saiu da igreja cheio de presunção e quando estava do lado de fora, a uma distância razoável, estendeu a mão a Teodoro e mostrou-lhe uma grande cruz de prata que estava em cima de uma cómoda na sacristia. Teodoro olhou para ela e encontrou uma correspondência positiva na sua memória, «tem a forma da nossa aldeia». Era a cruz da crucificação, com dois braços a mais para além do principal e com a inscrição INRI ao alto e um dos braços na diagonal aonde assentavam os pés de Cristo.
Edgar disse que era uma cruz roubada, «é uma cruz gamada, faremos uma maior esta semana para o nosso cemitério de animais». E para isso tiveram de voltar a matar. Andaram à procura de lagartixas à hora do calor na fraga e como não conseguiam acertar-Ihes com pedras decidiram capar todos os grilos que Edgar tinha acumulado numa caixa de sapatos, para os usar mais tarde, como isco nas armadilhas de pássaros.
Enfiavam uma palha de trigo através do abdómen de um grilo e colocavam-no suspenso entre os dedos das duas mãos, depois batiam as palmas e o grilo estava capado.
Havia duas caixas de papelão cheias de grilos com folhas de alface à espera de vez para morrer. Edgar era o mais rápido e com as mãos sujas do serviço dizia, «dois rabos são grilos, três são grilas, mas capamos tudo, porque já estão velhos e precisamos de muitos para encher uma cova».
Raquel andava a colher flores e Teodoro juntava os grilos mortos ainda a pulsar entre patas e apêndices dispersos numa das caixas. Oscar tinha descoberto uma buraca e andava com uma palhinha a pressionar grilos para saírem e juntarem-se à matança. Mas como não estava a conseguir, esgravatou com um pau mais grosso e depois abriu as calças e urinou lá para dentro.
Quando Edgar terminou de capar os grilos, pegou em dois paus de videira para fazer a cruz, arranjou dois pedaços mais curtos e enleou-os com os ramos de uma giesta. Teodoro andava bem disposto e começou a fazer uma cova, «enterramo-los aqui». E depois ergueu-se, olhou em redor e perguntou, «quem é que quer fazer de padre? Eu nunca fiz».
Teodoro era muito influenciável e aproveitava a sua memória infinita para reproduzir comportamentos de pessoas com alguma preponderância. Era capaz de reproduzir uma aula dada pela sua professora ou uma Missa pelo padre, mas quando ele tomava à letra as palavras deles, tudo soava a imitação, era um actor que decorava bem o papel, mas não sabia o que estava a dizer. Tinha poucas oportunidades de mostrar o que sabia e mais uma vez, foi Raquel a tomar nas mãos a cruz que Edgar tinha feito e a espalhar as flores e um cântico sobre a vala comum em que tinham enterrado os grilos.
Excerto do livro Trás-os-Montes da autoria de Tiago Patrício, que viveu em Carviçais até aos 19 anos. Gradiva, 2012.
Edgar roubava coisas da mercearia do pai; apesar do controlo e do inventário rigoroso que o pai mantinha, ele conseguia antecipar-se e oferecia-as a Teodoro. O problema é que isso se tornou um hábito e mesmo na escola ou na igreja, Edgar ficava com tudo aquilo que coubesse no bolso e passasse despercebido. Uma vez, no final da catequese, saiu da igreja cheio de presunção e quando estava do lado de fora, a uma distância razoável, estendeu a mão a Teodoro e mostrou-lhe uma grande cruz de prata que estava em cima de uma cómoda na sacristia. Teodoro olhou para ela e encontrou uma correspondência positiva na sua memória, «tem a forma da nossa aldeia». Era a cruz da crucificação, com dois braços a mais para além do principal e com a inscrição INRI ao alto e um dos braços na diagonal aonde assentavam os pés de Cristo.
Edgar disse que era uma cruz roubada, «é uma cruz gamada, faremos uma maior esta semana para o nosso cemitério de animais». E para isso tiveram de voltar a matar. Andaram à procura de lagartixas à hora do calor na fraga e como não conseguiam acertar-Ihes com pedras decidiram capar todos os grilos que Edgar tinha acumulado numa caixa de sapatos, para os usar mais tarde, como isco nas armadilhas de pássaros.
Enfiavam uma palha de trigo através do abdómen de um grilo e colocavam-no suspenso entre os dedos das duas mãos, depois batiam as palmas e o grilo estava capado.
Havia duas caixas de papelão cheias de grilos com folhas de alface à espera de vez para morrer. Edgar era o mais rápido e com as mãos sujas do serviço dizia, «dois rabos são grilos, três são grilas, mas capamos tudo, porque já estão velhos e precisamos de muitos para encher uma cova».
Raquel andava a colher flores e Teodoro juntava os grilos mortos ainda a pulsar entre patas e apêndices dispersos numa das caixas. Oscar tinha descoberto uma buraca e andava com uma palhinha a pressionar grilos para saírem e juntarem-se à matança. Mas como não estava a conseguir, esgravatou com um pau mais grosso e depois abriu as calças e urinou lá para dentro.
Quando Edgar terminou de capar os grilos, pegou em dois paus de videira para fazer a cruz, arranjou dois pedaços mais curtos e enleou-os com os ramos de uma giesta. Teodoro andava bem disposto e começou a fazer uma cova, «enterramo-los aqui». E depois ergueu-se, olhou em redor e perguntou, «quem é que quer fazer de padre? Eu nunca fiz».
Teodoro era muito influenciável e aproveitava a sua memória infinita para reproduzir comportamentos de pessoas com alguma preponderância. Era capaz de reproduzir uma aula dada pela sua professora ou uma Missa pelo padre, mas quando ele tomava à letra as palavras deles, tudo soava a imitação, era um actor que decorava bem o papel, mas não sabia o que estava a dizer. Tinha poucas oportunidades de mostrar o que sabia e mais uma vez, foi Raquel a tomar nas mãos a cruz que Edgar tinha feito e a espalhar as flores e um cântico sobre a vala comum em que tinham enterrado os grilos.
Excerto do livro Trás-os-Montes da autoria de Tiago Patrício, que viveu em Carviçais até aos 19 anos. Gradiva, 2012.
07 novembro, 2012
Apresentação pública do livro OS ISIDROS
Decorreu no pretérito dia 3 de novembro, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, a apresentação pública do livro OS ISIDROS – A epopeia de uma família de cristãos-novos de Torre de Moncorvo. Tratou-se de uma sessão com elevada presença das gentes residentes naquela prestigiada vila transmontana.
A sessão foi aberta com presença do Exm.º Presidente do Município, Eng. Aires Ferreira. A sua intervenção foi marcada pela preocupação que sempre houve em preservar este espólio cultural, gastronómico e urbanístico, que é de todos, que importa preservar e que, felizmente, na sua essência se mantém inalterado.
A apresentação propriamente dita esteve a cargo dos próprios autores, delineando cada um deles uma visão distinta da obra e, por essa razão, muito contribuiu para enriquecimento da mesma. De um lado a coautora a apresentá-la com a minúcia que a ciência exige, a povoar as ruas com as figuras da época, por outro, o coautor, residente na vila, que conhece como ninguém os lugares, a delinear um “roteiro cultural temático”, com base nas fotografias que integram a obra, apelidado de Rota dos Judeus em Torre de Moncorvo e que pode muito bem ser a génese um produto turístico para a Vila.
A sessão terminou com a tradicional sessão de autógrafos, seguido de um Porto de Honra gentilmente oferecido pelo Município a todos aqueles que quiseram marcar presença na Biblioteca Municipal para descobrir muito da sua identidade cultural e, provavelmente, até genética.
A sessão foi aberta com presença do Exm.º Presidente do Município, Eng. Aires Ferreira. A sua intervenção foi marcada pela preocupação que sempre houve em preservar este espólio cultural, gastronómico e urbanístico, que é de todos, que importa preservar e que, felizmente, na sua essência se mantém inalterado.
A apresentação propriamente dita esteve a cargo dos próprios autores, delineando cada um deles uma visão distinta da obra e, por essa razão, muito contribuiu para enriquecimento da mesma. De um lado a coautora a apresentá-la com a minúcia que a ciência exige, a povoar as ruas com as figuras da época, por outro, o coautor, residente na vila, que conhece como ninguém os lugares, a delinear um “roteiro cultural temático”, com base nas fotografias que integram a obra, apelidado de Rota dos Judeus em Torre de Moncorvo e que pode muito bem ser a génese um produto turístico para a Vila.
A sessão terminou com a tradicional sessão de autógrafos, seguido de um Porto de Honra gentilmente oferecido pelo Município a todos aqueles que quiseram marcar presença na Biblioteca Municipal para descobrir muito da sua identidade cultural e, provavelmente, até genética.
23 outubro, 2012
08 outubro, 2012
03 outubro, 2012
Praça Francisco António Meireles
Praça Francisco António Meireles com Chafariz Filipino
Chafariz filipino datado de 1636, tendo sido desmontado no século XIX, restando apenas a taça e a base. Mais tarde, foi reconstituído e reposto na Praça Francisco Meireles.
Ao fundo o edifício do tribunal.
29 setembro, 2012
23 setembro, 2012
Rostos de Adeganha (I)
![]() |
| Sr. Augusto Raimundo |
![]() |
| Sr. Francisco Barros |
![]() |
| Sr. Fernando Trindade |
Fotografias realizadas na festa da Segada e Malhada tradicionais, em Adeganha, concelho de Torre de Moncorvo, no dia 14 de Julho de 2012.
07 setembro, 2012
Alma De Ferro - A Farsa de Inês Pereira
O Alma De Ferro Grupo faz, este mês de Setembro, 4 anos de existência! E
como o melhor presente que este grupo pode ter é o Público... o seu
muito estimado Público!
O grupo encontra-se a adaptar o peça de Gil Vicente - 'A Farsa de Inês Pereira' - para vos apresentar e presentear no dia 21 de SETEMBRO de 2012 (Sexta-Feira)!
Um grande bem haja a todos que nos têm acompanhado, apoiado, aplaudido ao longo destes 4 anos!
O grupo encontra-se a adaptar o peça de Gil Vicente - 'A Farsa de Inês Pereira' - para vos apresentar e presentear no dia 21 de SETEMBRO de 2012 (Sexta-Feira)!
Um grande bem haja a todos que nos têm acompanhado, apoiado, aplaudido ao longo destes 4 anos!
30 agosto, 2012
Nossa Senhora do Castelo - Adeganha
No verão quente transmontano as festas sucedem-se e aos fins-de-semana sobrepõem-se em poucos quilómetros de distância. Ao longo do vale da Vilariça há muitas capelas mas há algumas que ao longo dos tempos foram palco de grandes manifestações de fé, de ponto de reunião das pessoas e que ainda mantêm esse papel. Estão nesta posição a romaria de Nossa Senhora do Castelo, em Adeganha e a de Nossa Senhora dos Anúncios, em Vilarelhos. Também a capela de Nossa Senhora da Rosa, em Sampaio, deve ter tido um papel de relevo, mas no presente está praticamente esquecida, mais por culpa do clero do que pela população da aldeia.
Nos dias 25 e 26 de Agosto realizaram-se as festa em honra de Nossa Senhora do Castelo. O local das festas situa-se num ponto estratégico situado no alto da fragada, nas fraldas do vale, com completo domínio do vale, razão pela qual o local foi escolhido deste os tempos antigos para a fixação do homem. No local existe um antigo povoado fortificado com vestígios da Idade do Ferro e da ocupação romana. Trata-se de um local cheio de história, de mística e como um dos melhores miradouros do vale.
Integram este santuário duas capelas, uma grande, bonita, dedicada a Nossa Senhora do Castelo, outra mais pequena, quadrangular, situada na beira da falésia, no ponto mais elevado do santuário.
No dia 19 de junho deflagrou um grande incêndio que devorou a vegetação dos montes em redor até poucos metros de distância do santuário. Assim, a somar ao aspeto de um ano excecionalmente seco soma-se o negro da fragada devorada pelas chamas, sem tempo nem gota de água para recuperar. Para minimizar este cenário negro o movimento do Grupo de Amigos de Adeganha deitou mão a uma ideia original: produzir flores em papel colorido e espalhá-las ao longo do percurso até ao santuário!
Por isso, havia muitos motivos para uma visita ao santuário, no dia 25 de Agosto.
Não conhecia o programa da festa. Imaginava o povo em procissão desde a aldeia ao santuário, mas os tempos mudaram e já há muitos anos que isso não é feito. Só me inteirei que não seria assim, na aldeia, depois de questionar alguns habitantes se o percurso até ao santuário seria feito a pé.
Parti para o santuário de carro, fazendo paragens ao longo do caminho para fotografar as flores em papel. Havia muito pó pelo caminho de cada vez que um carro passava.
Cheguei ao santuário perto das três da tarde. A calmaria ainda era muita e isso facilitou-e a vista a todos os espaços com a calma necessária. Surpreendeu-me a dimensão da capela e número de andores preparados para a procissão, uma dúzia. Estavam decorados com flores naturais, pelas mãos das pessoas de aldeia. Fizeram-no com tal dedicação e carinho que não ficavam nada a dever ao trabalho de um profissional da área.
Espalhados pelo santuário havia arranjos florais com flores em papel. Havia também quadros com a passagens das aparições em Fátima, com a Lenda das Açucenas, o batismo de Cristo e quadras sobre Adeganha.
A Eucaristia começou perto das seis da tarde. O pároco não se referiu a nenhum aspeto específico do santuário, mas as leituras foram sobre a vida de Maria e sobre Adão e Eva. Aproveitou para se despedir da população da paróquia e para a agradecer a forma como o receberam, dado que foi a última missa que celebrou em Adeganha.
Às sete saiu a procissão. Não deve ter sido fácil arranjar gente para transportar tantas bandeiras e estandartes e andores! Talvez seja boa ideia diminuir ao número e que apenas as pessoas que têm devoção façam essa tarefa porque há pessoas que não têm fé, nem respeito, confundindo a procissão com um qualquer desfile.
O percurso da procissão é curto mas acidentado. Não é fácil coordenar a subida e a descida de escadas carregando os andores.
A luz rasante do sol que começava a pintar de dourado a Vilariça ajudou a criar um ambiente de intimidade e oração. Um grupo coral contratado entoava cânticos que faziam eco nas cavidades das rochas e se refletiam pelo vale. Às oito horas terminou a procissão.
Caracteriza também esta festa o convívio das famílias em volta da mesa, mal a procissão recolha. Estendem-se as mantas (agora já há muitas mesas e cadeiras de jardim), abrem-se os cabazes (alguns até frigoríficos transportam para o santuário) e a festa é feita de comida e bebida tal como noutros tempos se fazia na Senhora da Assunção (Vilas Boas) ou no Santo Ambrósio (em Vale da Porca).
A comissão de festa tem a seu cargo a assadura dos frangos. São vendidos ao longo da tarde e são fornecidos mal acabe a procissão. Não faço ideia quantos são vendidos mas são seguramente largas dezenas!
O grupo musical que ia abrilhantar a noite tocou os primeiros acordes. Acenderam-se a luzes e o santuário ganhou mais magia.
Não fiquei para o arraial. Desci por uma estrada de terra batida para a Junqueira, prometendo não voltar a fazê-lo. Não é via recomendável a carros ligeiros, mas voltar para trás era impensável.
Gostei de conhecer e participar na festa de Nossa Senhora do Castelo. Fiquei, sobretudo, com vontade de lá voltar noutra altura do ano, quem sabe se em maio, com menos gente mas com outra paisagem e com outro espírito.
Nos dias 25 e 26 de Agosto realizaram-se as festa em honra de Nossa Senhora do Castelo. O local das festas situa-se num ponto estratégico situado no alto da fragada, nas fraldas do vale, com completo domínio do vale, razão pela qual o local foi escolhido deste os tempos antigos para a fixação do homem. No local existe um antigo povoado fortificado com vestígios da Idade do Ferro e da ocupação romana. Trata-se de um local cheio de história, de mística e como um dos melhores miradouros do vale.
Integram este santuário duas capelas, uma grande, bonita, dedicada a Nossa Senhora do Castelo, outra mais pequena, quadrangular, situada na beira da falésia, no ponto mais elevado do santuário.
No dia 19 de junho deflagrou um grande incêndio que devorou a vegetação dos montes em redor até poucos metros de distância do santuário. Assim, a somar ao aspeto de um ano excecionalmente seco soma-se o negro da fragada devorada pelas chamas, sem tempo nem gota de água para recuperar. Para minimizar este cenário negro o movimento do Grupo de Amigos de Adeganha deitou mão a uma ideia original: produzir flores em papel colorido e espalhá-las ao longo do percurso até ao santuário!
Por isso, havia muitos motivos para uma visita ao santuário, no dia 25 de Agosto.
Não conhecia o programa da festa. Imaginava o povo em procissão desde a aldeia ao santuário, mas os tempos mudaram e já há muitos anos que isso não é feito. Só me inteirei que não seria assim, na aldeia, depois de questionar alguns habitantes se o percurso até ao santuário seria feito a pé.
Parti para o santuário de carro, fazendo paragens ao longo do caminho para fotografar as flores em papel. Havia muito pó pelo caminho de cada vez que um carro passava.
Cheguei ao santuário perto das três da tarde. A calmaria ainda era muita e isso facilitou-e a vista a todos os espaços com a calma necessária. Surpreendeu-me a dimensão da capela e número de andores preparados para a procissão, uma dúzia. Estavam decorados com flores naturais, pelas mãos das pessoas de aldeia. Fizeram-no com tal dedicação e carinho que não ficavam nada a dever ao trabalho de um profissional da área.
Espalhados pelo santuário havia arranjos florais com flores em papel. Havia também quadros com a passagens das aparições em Fátima, com a Lenda das Açucenas, o batismo de Cristo e quadras sobre Adeganha.
A Eucaristia começou perto das seis da tarde. O pároco não se referiu a nenhum aspeto específico do santuário, mas as leituras foram sobre a vida de Maria e sobre Adão e Eva. Aproveitou para se despedir da população da paróquia e para a agradecer a forma como o receberam, dado que foi a última missa que celebrou em Adeganha.
Às sete saiu a procissão. Não deve ter sido fácil arranjar gente para transportar tantas bandeiras e estandartes e andores! Talvez seja boa ideia diminuir ao número e que apenas as pessoas que têm devoção façam essa tarefa porque há pessoas que não têm fé, nem respeito, confundindo a procissão com um qualquer desfile.
O percurso da procissão é curto mas acidentado. Não é fácil coordenar a subida e a descida de escadas carregando os andores.
A luz rasante do sol que começava a pintar de dourado a Vilariça ajudou a criar um ambiente de intimidade e oração. Um grupo coral contratado entoava cânticos que faziam eco nas cavidades das rochas e se refletiam pelo vale. Às oito horas terminou a procissão.
Caracteriza também esta festa o convívio das famílias em volta da mesa, mal a procissão recolha. Estendem-se as mantas (agora já há muitas mesas e cadeiras de jardim), abrem-se os cabazes (alguns até frigoríficos transportam para o santuário) e a festa é feita de comida e bebida tal como noutros tempos se fazia na Senhora da Assunção (Vilas Boas) ou no Santo Ambrósio (em Vale da Porca).
A comissão de festa tem a seu cargo a assadura dos frangos. São vendidos ao longo da tarde e são fornecidos mal acabe a procissão. Não faço ideia quantos são vendidos mas são seguramente largas dezenas!
O grupo musical que ia abrilhantar a noite tocou os primeiros acordes. Acenderam-se a luzes e o santuário ganhou mais magia.
Não fiquei para o arraial. Desci por uma estrada de terra batida para a Junqueira, prometendo não voltar a fazê-lo. Não é via recomendável a carros ligeiros, mas voltar para trás era impensável.
Gostei de conhecer e participar na festa de Nossa Senhora do Castelo. Fiquei, sobretudo, com vontade de lá voltar noutra altura do ano, quem sabe se em maio, com menos gente mas com outra paisagem e com outro espírito.
17 agosto, 2012
Canção da segada (Adeganha)
Ó que alegria,
Já lá vem nossa criada.
Com jantar,
à nossa bela segada.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Ai que desgraça,
só me lembrei pelo caminho.
Com tanta pressa,
Lá deixei ficar o vinho.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
.Ora vá depressa,
Pedir vinho ao patrão.
Que nós sem vinho,
Não podemos segar pão.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Canção cantada na recriação da segada, em Adeganha, em 14 de julho de 2012.
Já lá vem nossa criada.
Com jantar,
à nossa bela segada.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Ai que desgraça,
só me lembrei pelo caminho.
Com tanta pressa,
Lá deixei ficar o vinho.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
.Ora vá depressa,
Pedir vinho ao patrão.
Que nós sem vinho,
Não podemos segar pão.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Canção cantada na recriação da segada, em Adeganha, em 14 de julho de 2012.
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