Na Lousa podemos encontrar varandas como esta. São miradouros mágicos onde gerações olharam do alto o mundo à sua volta. Hoje estes miradouros estão praticamente vazios, mas nem todos.
18 junho, 2009
Lousa 2
Na Lousa podemos encontrar varandas como esta. São miradouros mágicos onde gerações olharam do alto o mundo à sua volta. Hoje estes miradouros estão praticamente vazios, mas nem todos.
17 junho, 2009
Exposição 35 anos de Torre de Moncorvo

Uma viagem de 35 anos, cheia de gente que já não está e de outra que regressou.
Moncorvo visto pelo olhar de Assis Pacheco, vindo de Lisboa, de Rogério Rodrigues, da terra, mas exilado na cidade, e da palavra, sempre lúcida, do Afonso Praça do Felgar, a coberto do olhar fotográfico do Leonel Brito, também da terra, mas exilado no Alentejo.
Uma exposição de encontros, de memória, mas um itinerário das transformações ocorridas, em 35 anos, no nosso concelho. Hoje melhor do que ontem; amanhã, por certo, melhor do que hoje.
Esta exposição traça um percurso, desde a terra batida à derivação do IP 2 e força-nos a pensar e a reconhecer quanto estes 35 anos mudaram a paisagem e os costumes de Moncorvo.
Reportagens:
- “Moncorvo Zona Quente em Terra Fria”, no jornal “República”, Março de 74 ;
- “Moncorvo, o Futuro não tem Pressa”, em “O Jornal”, Fevereiro de 84;
- “Moncorvo o Presente, ao menos”, Junho de 09.
Documentários:
- “Estevais Ano Zero”, Junho de 75 ;
- “Velhas Profissões” (Lagar da Cera, o Moleiro, a Tecedeira, o Oleiro), Setembro de 75;
- “Encomendação das Almas no Nordeste Transmontano”, Abril de 1979.
300 fotografias e fotogramas de 74 a 09.
16 junho, 2009
Estão as fontes entupidas

I
Moncorvo tem muita fonte
Mas nenhuma está a correr
Vêm os passarinhos do monte
E não têm água para beber
II
Que está a fonte da Praça a fazer
Triste sem se poder queixar
Por não ter água a correr
Está-se a degradar
III
A antiga Fonte de Sto. António
Também deixou de correr
Pobre é o nosso património
Que estão a deixá-lo morrer
IV
Colocam a fonte na Praça
Para lembrar o antigamente
Mas não tem nenhuma graça
Sem ter água corrente

V
A fonte da Corredoura
Era das mais privilegiadas
Varrem-lhe o lixo à vassoura
Por ter as torneiras fechadas
VI
A da Praça das Regateiras
É de todas a mais pobre
Serve para fazerem asneiras
E ter lixo que lhes sobre
VII
A fonte das Aveleiras
É a única que está a correr
Agradecem as pombas da igreja
Para irem lá beber
VIII
Não há água para beber
Nenhuma água é boa delas
Deve-se reconhecer
Que a melhor é das Lamelas
José Manuel Remondes
15 junho, 2009
Mau tempo no Sabor
Os primeiros dias de Junho têm-nos surpreendido com constantes mudanças no estado do tempo. Há dias, numa passagem pela Foz do Sabor, sob um calor abrasador, fiz esta fotografia do rio Sabor, pouco antes de se juntar ao Douro.
14 junho, 2009
Ultreia!

Fiz o “Caminho de S. Tiago”, mais conhecido por “Caminho Francês”. A ideia já existia na minha mente há muitos anos, mas nunca a tinha concretizado porque nunca tinha encontrado alguém que, tal como eu, estivesse disposto a percorrer de bicicleta 800 km, desde S. Jean-Pied-de-Port a Santiago de Compostela, sem se importar com as dores musculares, as intempéries, os calores, os frios…
Não sabia o que ia encontrar, como é lógico, desconhecia que era percorrido por centenas e centenas de pessoas de todas as nacionalidades, alemães, franceses, americanos, mexicanos, brasileiros, sul-coreanos… não sabia quem eram essas pessoas, quais os impulsos que as levavam a levantar-se cedo, a caminhar debaixo de um sol abrasador e a menosprezar os frios penetrantes da montanha. Depois de o fazer contínuo ignorante, talvez seja a fé a mover montanhas, talvez haja um recolhimento interior, demasiadamente humano, que se encontra quando se caminha sozinho, longe do bulício da vida e que dá forças para continuar, a fazer o percurso do sol, passo após passo, em direcção ao fim, mas que depressa parece transformar-se em princípio.
Por mim, digo apenas que me fascina o misticismo a ele ligado, fascina-me ser capaz de encontrar nos imensos monumentos, nos imensos sinais encontrados ao longo do caminho uma linguagem simbólica, que se perdeu nas brumas do tempo, mas que continuam ali, à espera de serem verdadeiramente encontrados. Fascina-me a ideia de um espiritualismo secreto, que se descobre apenas quando se percorre, quando se tem a noção do conjunto, um caminho capaz de transformar, seja a alma que for. Penso que também me transformou, aliás, como todas as experiências humanas. Nele, em Roncesvales, ouvi a trombeta de socorro de Rolando ecoar ao longo do vale verdejante, compreendi o orgulho e a valentia que o levou a quebrar a sua Durindana ao perceber que estava prestes a morrer. Lá no alto, na Cruz de Ferro, escrito nas pedras que tradicionalmente se colocam a seus pés, e nas lágrimas que vi derramar, fui capaz de perceber a força sobre-humana que os leva a continuarem dia após dia. Em, “El Cebrero”, isolado, cortado por um vento penetrante, envolto em misteriosas nebrinas, uma igreja rústica, mas simultaneamente reconfortante, entrei na mística da lenda que o liga ao Santo Graal. No Monte del Gozo, senti o verdadeiro gozo que é avistar a o fim da viajem.
BUEN CAMINHO!
António Lopes
Fotografia: Pormenor do frontispício da igreja matriz de Carviçais.
13 junho, 2009
Pomba
Hoje,Amigo,
Chegou-me uma carta.
Com uma Pomba!
Não acreditas?
Acredita, por difícil que te seja acreditar,
Mesmo sabendo tu e eu que a Pomba,
Sorrateiramente,
Quase sem ninguém notar,
Fora posta a hibernar!
Então,
Amigo,
Chegado é o tempo
Do tempo a ter acordado
Para de novo se ter libertado!
E a Pomba voar
Para a todo o lado chegar!
E a todos acordar
Deste doentio hibernar!
6-2-2009
J. Rodrigues Dias
A fotografia foi tirada na sessão de Birdwatching, organizada pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo a 24 de Maio de 2008.
12 junho, 2009
Ruas de Moncorvo (1)
11 junho, 2009
À descoberta de Cabeça Boa
Não é fácil chegar a Cabeça Boa, partindo de Torre de Moncorvo! Possivelmente muitos moncorvenses nunca foram a Cabeça Boa, mas este Blogue esteve lá, e recolheu uma série de bonitas imagens para mostrar aos querem conhecer esta simpática aldeia ou para os que querem dela matar saudades.A fotografia mostra a Capela de Santa Catarina, muito pequena mas recentemente arranjada e exemplarmente cuidada. Não foi possível observar o interior da capela.
10 junho, 2009
09 junho, 2009
Praça Francisco Meireles
08 junho, 2009
Encontro de antigos alunos do Colégio Campos Monteiro
Os organizadores deste ano convidaram o “grupo de teatro alma de ferro” para que estes fizessem uma pequena tertúlia. O grupo aceitou o desafio e apresentou a peça que se expõe nas alíneas abaixo, que quis prestar uma homenagem ao escritor natural de Torre de Moncorvo que deu o nome ao colégio fundado pelo Drº Ramiro Salgado. O trabalho é do José Ricardo, que recentemente fez uma tese de Mestrado relativa ao escritor desta localidade e que pode ser consultada na biblioteca de Torre de Moncorvo.

ACTO ÚNICO
(entra a figura fantasmagórica de Campos Monteiro, sozinho em palco, deambulando de um lado para o outro)
CAMPOS MONTEIRO (com ar distraído) – Cem anos! Cem anos passaram. Os finais de século são assustadores! Repete-se tudo? Os valores, meu Deus, os valores! A ética! A moral!... Por onde andarão? Será que se perderam para sempre nos saudosos tempos do romantismo, em que a palavra contava? Em que a palavra não se vendia a quem desse mais? Tudo se repete… tudo se repete! Outra vez a República! Outra nefasta e cavernosa República!...
(Pequena pausa. Campos Monteiro admirado com o que ouvia e Dando conta que o escutam, olha de frente para o público, desafiadoramente)
CAMPOS MONTEIRO – Quem é este? Perguntais vós. Pois eu respondo... com todo o prazer vos respondo. Sou Campos Monteiro, Abílio Adriano Campos Monteiro! Fui, no meu tempo, um dos escritores mais populares e mais lidos. Já ouviram decerto o cumprimento republicano “saúde e fraternidade”. Pois bem! Foi precisamente arrebanhando jocosamente essa saudação que eu escrevi a sátira política com o mesmo nome. Sabem que Saúde e Fraternidade foi o livro mais vendido no primeiro quartel do século XX? 40 000 exemplares em seis meses! Um número enorme mesmo para estas primeiras décadas do século XXI, em Portugal. Vejo nos vossos olhos a pergunta: mas o que tratava, afinal, Saúde e Fraternidade? Já vos disse: sátira! (levantando o tom de voz) Sátira, que era o terreno onde minha pena melhor se sentia. (mais alto) Sátira, que era o género que melhor representava Portugal. E sabeis que esse livrinho foi reeditado em 1978? Por que será? A caricatura da Primeira República teve o seu prolongamento na terceira. E continua! (mais triste, olhando para o chão) E continua… Mas agora já não há Campos Monteiro!... Nem mesmo aquele que caluniou el-Rei D. Carlos, o António Albuquerque. Já não há visionários. Foi o que eu fui (pausa): um visionário. Por isso escrevi, no saudoso jornal Pátria!, em reposta a um caluniador, que tanto a monarquia como o republicanismo hão-de baquear um dia e que “há de levar muitos séculos, é evidente, tantos, que ninguém ainda hoje consegue aperceber os contornos d’essas novas modalidades governativas que as nações hão de adoptar um dia”. Mas não se iludam: sou monárquico. (pausa) É verdade que estive tentado pela República, pois éramos governados pelo execrado carcereiro João Franco. Mas nem mesmo o aceno de ilustres figuras republicanas como Sampaio Bruno me fizeram cair na tentação, apetecível em 1906. O ignóbil atentado que ceifou a vida a D. Carlos e a seu filho D. Luís depressa expuseram o verdadeiro republicanismo. (pausa) O que me restava, então? (pausa e olhando para o chão) Simples a resposta (pausa, olhando agora para a assistência, aumentando o tom de voz): remar conta a maré. E foi isso que fiz toda a minha vida, mesmo quando passei por aquela casa de vaidades que vós chamais agora, pomposamente, casa da democracia. (pausa) É verdade! Fui deputado monárquico pelo círculo do Porto. Curto período, esse. A esperança sidonista depressa se apagou. O que me restava, afinal? (pausa) “Domus mea este orbis meu”. (em crescendo) E sabem qual foi este meu mundo? Esta minha casa? A minha pátria? (pausa, na tentativa de criar um certo anseio na assistência) A língua, senhores, a língua portuguesa. Aquele poeta meu contemporâneo (bem diferente de mim, aliás) também disse qualquer coisa do género, não foi? “A minha pátria é a língua portuguesa”. Não podia estar mais de acordo. Me vou. Adeus!
(começa a caminhar, com passos lentos mas decididos, com os braços caídos e com evidentes sinais de desilusão, para o fundo do palco).


