13 junho, 2009

Pomba

Hoje,
Amigo,
Chegou-me uma carta.
Com uma Pomba!
Não acreditas?
Acredita, por difícil que te seja acreditar,
Mesmo sabendo tu e eu que a Pomba,
Sorrateiramente,
Quase sem ninguém notar,
Fora posta a hibernar!

Então,
Amigo,
Chegado é o tempo
Do tempo a ter acordado
Para de novo se ter libertado!

E a Pomba voar
Para a todo o lado chegar!

E a todos acordar
Deste doentio hibernar!

6-2-2009
J. Rodrigues Dias

A fotografia foi tirada na sessão de Birdwatching, organizada pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo a 24 de Maio de 2008.

12 junho, 2009

Ruas de Moncorvo (1)


A Rua da Misericórdia é uma das mais características de Torre de Moncorvo. Neste dia captei uma pessoa isolada quase esmagada por um céu ameaçador.

11 junho, 2009

À descoberta de Cabeça Boa

Não é fácil chegar a Cabeça Boa, partindo de Torre de Moncorvo! Possivelmente muitos moncorvenses nunca foram a Cabeça Boa, mas este Blogue esteve lá, e recolheu uma série de bonitas imagens para mostrar aos querem conhecer esta simpática aldeia ou para os que querem dela matar saudades.
A fotografia mostra a Capela de Santa Catarina, muito pequena mas recentemente arranjada e exemplarmente cuidada. Não foi possível observar o interior da capela.

10 junho, 2009

Detalhes em Ferro 6

Mais uma bonita porta com aplicações em ferro forjado.
Felgar, Rua Direita.

09 junho, 2009

Praça Francisco Meireles

Panorâmica da bonita Praça Francisco Meireles com o antigo casario em redor. Ao fundo a Serra do Reboredo colorida a verde e amarelo.

08 junho, 2009

Encontro de antigos alunos do Colégio Campos Monteiro

Realizou-se no dia 6 de Junho o encontro de antigos alunos do Colégio Campos Monteiro.
Os organizadores deste ano convidaram o “grupo de teatro alma de ferro” para que estes fizessem uma pequena tertúlia. O grupo aceitou o desafio e apresentou a peça que se expõe nas alíneas abaixo, que quis prestar uma homenagem ao escritor natural de Torre de Moncorvo que deu o nome ao colégio fundado pelo Drº Ramiro Salgado. O trabalho é do José Ricardo, que recentemente fez uma tese de Mestrado relativa ao escritor desta localidade e que pode ser consultada na biblioteca de Torre de Moncorvo.

ACTO ÚNICO

(entra a figura fantasmagórica de Campos Monteiro, sozinho em palco, deambulando de um lado para o outro)

CAMPOS MONTEIRO (com ar distraído) – Cem anos! Cem anos passaram. Os finais de século são assustadores! Repete-se tudo? Os valores, meu Deus, os valores! A ética! A moral!... Por onde andarão? Será que se perderam para sempre nos saudosos tempos do romantismo, em que a palavra contava? Em que a palavra não se vendia a quem desse mais? Tudo se repete… tudo se repete! Outra vez a República! Outra nefasta e cavernosa República!...

(Pequena pausa. Campos Monteiro admirado com o que ouvia e Dando conta que o escutam, olha de frente para o público, desafiadoramente)

CAMPOS MONTEIRO – Quem é este? Perguntais vós. Pois eu respondo... com todo o prazer vos respondo. Sou Campos Monteiro, Abílio Adriano Campos Monteiro! Fui, no meu tempo, um dos escritores mais populares e mais lidos. Já ouviram decerto o cumprimento republicano “saúde e fraternidade”. Pois bem! Foi precisamente arrebanhando jocosamente essa saudação que eu escrevi a sátira política com o mesmo nome. Sabem que Saúde e Fraternidade foi o livro mais vendido no primeiro quartel do século XX? 40 000 exemplares em seis meses! Um número enorme mesmo para estas primeiras décadas do século XXI, em Portugal. Vejo nos vossos olhos a pergunta: mas o que tratava, afinal, Saúde e Fraternidade? Já vos disse: sátira! (levantando o tom de voz) Sátira, que era o terreno onde minha pena melhor se sentia. (mais alto) Sátira, que era o género que melhor representava Portugal. E sabeis que esse livrinho foi reeditado em 1978? Por que será? A caricatura da Primeira República teve o seu prolongamento na terceira. E continua! (mais triste, olhando para o chão) E continua… Mas agora já não há Campos Monteiro!... Nem mesmo aquele que caluniou el-Rei D. Carlos, o António Albuquerque. Já não há visionários. Foi o que eu fui (pausa): um visionário. Por isso escrevi, no saudoso jornal Pátria!, em reposta a um caluniador, que tanto a monarquia como o republicanismo hão-de baquear um dia e que “há de levar muitos séculos, é evidente, tantos, que ninguém ainda hoje consegue aperceber os contornos d’essas novas modalidades governativas que as nações hão de adoptar um dia”. Mas não se iludam: sou monárquico. (pausa) É verdade que estive tentado pela República, pois éramos governados pelo execrado carcereiro João Franco. Mas nem mesmo o aceno de ilustres figuras republicanas como Sampaio Bruno me fizeram cair na tentação, apetecível em 1906. O ignóbil atentado que ceifou a vida a D. Carlos e a seu filho D. Luís depressa expuseram o verdadeiro republicanismo. (pausa) O que me restava, então? (pausa e olhando para o chão) Simples a resposta (pausa, olhando agora para a assistência, aumentando o tom de voz): remar conta a maré. E foi isso que fiz toda a minha vida, mesmo quando passei por aquela casa de vaidades que vós chamais agora, pomposamente, casa da democracia. (pausa) É verdade! Fui deputado monárquico pelo círculo do Porto. Curto período, esse. A esperança sidonista depressa se apagou. O que me restava, afinal? (pausa) “Domus mea este orbis meu”. (em crescendo) E sabem qual foi este meu mundo? Esta minha casa? A minha pátria? (pausa, na tentativa de criar um certo anseio na assistência) A língua, senhores, a língua portuguesa. Aquele poeta meu contemporâneo (bem diferente de mim, aliás) também disse qualquer coisa do género, não foi? “A minha pátria é a língua portuguesa”. Não podia estar mais de acordo. Me vou. Adeus!

(começa a caminhar, com passos lentos mas decididos, com os braços caídos e com evidentes sinais de desilusão, para o fundo do palco).

07 junho, 2009

À Descoberta de Torre de Morcorvo

Durante o primeiro ano de existência do blogue À Descoberta de Torre de Moncorvo realizei uma série de viagens por todos o concelho, conhecendo a vila e muitas das aldeias que o integram. A ideia original, descobrir o concelho em palavra e imagens mantém-se, ainda mais reforçada, agora com a possibilidade de emitir opiniões sejam elas agradáveis ou não a quem as ouve e lê. Trata-se de um blogue pessoal, que não tem quer ser obrigatoriamente agradável a pessoas ou instituições, mas que também não pretende ser desagradável. Transmitirá uma forma de ver e de sentir, de inicio individual, mas que pode ser alargada, mantendo como linhas orientadores o respeito, o gosto pelo concelho de Torre de Moncorvo e a defesa de valores e ideias que com as quais os colaboradores se identificam.
A duração desta aventura não tem data fixa, depende de uma série de factores pessoais e profissionais que cruzam a nossa vida sem pedir licença, mas com os quais temos de continuar a aprender a viver.
Se achar este espaço agradável, participe e volte sempre.

26 maio, 2009

A dádiva da vida


Somos, estamos, sentimos
tudo isto a vida nos oferece
até quando com a morte partimos
nossa lembrança em alguém permanece.

É bom saber que estamos vivos
mesmo quando a tristeza aperta,
é verdade, às vezes andamos perdidos
não tendo atitude certa.

Da vida nunca nos devemos fartar
ela é uma dádiva preciosa
devemos sempre acreditar
que connosco é bondosa.

Insaciáveis devemos ser
no que à vida diz respeito
tirar dela todo o prazer
e apreciar todo o seu feito.

Viver é bom é verdade,
mas temos de ter algumas regras
não esquecer a lealdade
quando na vida surgem pedras.

Com tanto imprevisto e desgosto
alguns perdem o rumo
depois partem do pressuposto
Que tudo é como o fumo.

Concordo que na realidade
nem sempre é fácil viver
mas o melhor é ter simplicidade
na nossa maneira de ser.

Bem ou mal nos corra a vida
devemos sempre nos lembrar
que a nós foi concedida
e temos de a respeitar.

Se assim formos positivos
é fácil o que é bom encontrar
seremos mais permissivos
e mais fáceis de amar.

Concluindo meus amigos:
vivam com intensidade
não se iludam com destinos
e sejam felizes de verdade.

Enviado por Séfora R.

25 maio, 2009

Efeito borboleta

Caros visitantes, colaboradores e amigos, não se sei devido às condições atmosféricas, se à festa do 1.º aniversário, o Blogue está com alguns sintomas de crise existencial. Por isso, e porque cada um tem que planear a sua vida, parece-me honesto avisar os interessados que talvez seja mais sensato não contarem com um jantar convívio no dia 6 de Junho (também a iniciativa do Postal Ilustrado comemorativo do 1.º aniversário está cancelada).

24 maio, 2009

Chafariz Filipino

Em 1549, o cronista João de Barros noticiava que a vila de Moncorvo possuía "hu Chafariz de mais de quarenta palmos (...) no meio da Praça". Naturalmente que não poderia ser o actual chafariz, que tem gravada a data de 1636.
Nem sempre foi fácil conseguir trazer a preciosa água da serra até à vila. Houve problemas com a comunidade franciscana do Convento de São Francisco que reclamava a posse das nascentes da serra.
Em 1628 a Câmara de Moncorvo arrematou a obra do chafariz ao arquitecto António Fernandes, que levaria cerca de dez anos a ser terminada. Em 1887 o chafariz da praça seria destruído por ordem do então presidente da Câmara, António Pontes e as diversas partes andaram aos tombos por vários locais da vila (daria um bom conto).
Há alguns anos a Câmara de Torre de Moncorvo realizou um projecto público com vista a reconstruir o chafariz, aproveitando os elementos originais que estavam na sua posse, sendo o conjunto reposto na Praça Francisco Meireles.
O chafariz insere-se num tanque de formato quadrangular, assentando sobre uma base quadrada. No primeiro registo forma um depósito bolboso decorados com uma carranca, da qual jorra a água. Sobre este foi edificado um pináculo, que remata a estrutura. Na base do conjunto foi gravada a inscrição "FEITO NO ANO DO SENHOR DE 1636 POR ORDEM DE DOUTOR JULIÃO DE FIGUEIREDO, PROVEDOR E CONTADOR NESTA COMARCA, À CUSTA DO POVO".
Este chafariz está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Fonte do texto: IPPAR