Fotografias da segada e malhada tradicionais realizados no dia 14 de julho na aldeia de Cardanha, concelho de Torre de Moncorvo.
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10 setembro, 2013
10 agosto, 2013
Segada e malhada tradicionais 2013
A segada e a malhada tradicionais realizadas em 2012 em Adeganha foram fantásticas, quer para quem participou, quer para quem assistiu e o evento repetiu-se num outro formato, em 2013.
O programa estendia-se ao longo de dois dias, 13 e 14 de Julho, com atividades a desenvolverem-se em três aldeias Cardanha, Adeganha e Estevais, com o lema Planalto em Movimento 2013.
Inicialmente tinha previsto marcar presença nos dois dias, mas, depois, optei por ir só ao segundo dia, onde se desenvolveu a segada e a malhada, consciente de que perderia atividades (novidades gastronómicas) bastante interessantes.
Cheguei a Estevais a meio da manhã do dia 14. Pensei chegar ainda a tempo da visita guiada ao Baldoeiro, mas não. Aproveitei a calmaria no largo da aldeia para explorar as ruas e ruelas. Fiquei admirado com a quantidade de habitações antigas, muitas delas em ruínas que devem ter constituído a antiga aldeia! Seria muito maior do que é hoje, situada em terrenos mais acidentados, sobre lajes de granito, voltada para o vale da Vilariça. Tirei imensas fotografias desta aldeia "fantasma".
Quando regressei ao largo já estava a ser ultimado o almoço. Fazia muito sol e calor e todos procuravam um lugar à sombra. Estava mesmo muita gente! A custo consegui um espacinho junto ao Sr. Moisés, bom garfo, confiante que ele teria vindo acompanhado de algum garrafão da Adeganha. A D. Ermelinda tinha preparado um almoço bem tradicional, mas eu estava a contar com outros pratos, foi o que deu não ter ido à ceia do dia 13.
Não foi fácil servir tanta gente. O vento teimava e levar os guardanapos e pratos vazios. Quanto aos talhares, fizeram mal as contas e foi necessários recolhe-los em várias casas, mas eram mais pesados e não eram levados pelo vento. Com calma e boa vontade todos se acomodaram e foram servidos.
O melhor, e não podia ser de outra maneira, foi o convívio entre as pessoas, as conversas espontâneas e francas, a partilha da salada o incentivo a mais um copo. Até um zamorano se juntou a nós e se sentiu em casa, comendo e bebendo, mas com menos "coragem" que os transmontanos.
Aproveitei a pausa depois do almoço para fazer alguns retratos. A franqueza da gente deixaram-me à vontade para uma aproximação mais frontal, individual mesmo. O registo dos traços dos rostos marcados pelo tempo, os mesmos que já havia registado um ano antes, foi muito entusiasmante.
Não acompanhei as atividades seguintes mas à hora marcada estava na Cardanha para assistir à segada. O grupo de segadores era razoável e nem parecia que estavam a brincar! Não sei se me apetecia mais fotografar ou pegar numa ceitoira e recordar o passado com eles. Tentei fazer as duas coisas, perdendo algumas oportunidades fotográficas de pormenores que seriam bastante interessantes.
O centeio foi transferido para a eira, a alguma distância. Optei por ir a pé, na companhia de outras pessoas.
Por sorte as pessoas que estavam a assistir à malhada recolheram-se à sombra o que prometia um espaço "limpo" para fotografar a malhada tradicional. Infelizmente alguns entusiastas da fotografia e vídeo apareciam por todo o lado rivalizando em protagonismo com os verdadeiro intervenientes.
Mais uma vez a malhada tradicional foi o momento mais alto das atividades. Notava-se que a experiência do ano anterior tinha sido benéfica, sobretudo para reavivar os procedimentos. Numa próxima realização poderia ser boa ideia dar oportunidade a quem nunca manejou o malho. Isto sem colocar em perigo a integridade física de ninguém, é claro.
Lembrei-me disto ao ver uma criança a brinca com o grão que ficou na eira, depois de todas as tarefas terminadas. Possivelmente nunca tinha visto o grão, quanto mais tido a oportunidade de enterrar as mãos e senti-lo escorregar por entre os dedos.
Foi servida a merenda, extensível à assistência, incluindo fotógrafos. Mais uma vez a enorme cabaça andou de mão em mão manchando de tinto as camisas dos menos experientes.
Regressámos à aldeia. Junto à capela do Senhor dos Aflitos organizou-se o "baile" que antecedeu o encerramento das atividades. Com arcos enfeitados e vestidos a preceito, vários grupos, penso que seria 3 um de cada aldeia, cantaram e dançaram como há já muito tempo não faziam. E foi neste ambiente de arraial que terminou a festa.
Este modelo com atividades a desenvolverem-se em três locais distintos tornou mais difícil o acompanhamento, mas criou outro envolvimento. Fiquei com a sensação que perdi muito bons momentos, mas isso só é razão para pensar já na próxima recreação. Espero que todos os envolvidos na organização destas atividades, que merecem ser aplaudidos e acarinhados, não percam o entusiasmo e mantenham o dinamismo que foi criado e que já faz a diferença, no concelho e para além dele.
Muito obrigado a todos.
O programa estendia-se ao longo de dois dias, 13 e 14 de Julho, com atividades a desenvolverem-se em três aldeias Cardanha, Adeganha e Estevais, com o lema Planalto em Movimento 2013.
Inicialmente tinha previsto marcar presença nos dois dias, mas, depois, optei por ir só ao segundo dia, onde se desenvolveu a segada e a malhada, consciente de que perderia atividades (novidades gastronómicas) bastante interessantes.
Cheguei a Estevais a meio da manhã do dia 14. Pensei chegar ainda a tempo da visita guiada ao Baldoeiro, mas não. Aproveitei a calmaria no largo da aldeia para explorar as ruas e ruelas. Fiquei admirado com a quantidade de habitações antigas, muitas delas em ruínas que devem ter constituído a antiga aldeia! Seria muito maior do que é hoje, situada em terrenos mais acidentados, sobre lajes de granito, voltada para o vale da Vilariça. Tirei imensas fotografias desta aldeia "fantasma".
Quando regressei ao largo já estava a ser ultimado o almoço. Fazia muito sol e calor e todos procuravam um lugar à sombra. Estava mesmo muita gente! A custo consegui um espacinho junto ao Sr. Moisés, bom garfo, confiante que ele teria vindo acompanhado de algum garrafão da Adeganha. A D. Ermelinda tinha preparado um almoço bem tradicional, mas eu estava a contar com outros pratos, foi o que deu não ter ido à ceia do dia 13.
Não foi fácil servir tanta gente. O vento teimava e levar os guardanapos e pratos vazios. Quanto aos talhares, fizeram mal as contas e foi necessários recolhe-los em várias casas, mas eram mais pesados e não eram levados pelo vento. Com calma e boa vontade todos se acomodaram e foram servidos.
O melhor, e não podia ser de outra maneira, foi o convívio entre as pessoas, as conversas espontâneas e francas, a partilha da salada o incentivo a mais um copo. Até um zamorano se juntou a nós e se sentiu em casa, comendo e bebendo, mas com menos "coragem" que os transmontanos.
Aproveitei a pausa depois do almoço para fazer alguns retratos. A franqueza da gente deixaram-me à vontade para uma aproximação mais frontal, individual mesmo. O registo dos traços dos rostos marcados pelo tempo, os mesmos que já havia registado um ano antes, foi muito entusiasmante.
Não acompanhei as atividades seguintes mas à hora marcada estava na Cardanha para assistir à segada. O grupo de segadores era razoável e nem parecia que estavam a brincar! Não sei se me apetecia mais fotografar ou pegar numa ceitoira e recordar o passado com eles. Tentei fazer as duas coisas, perdendo algumas oportunidades fotográficas de pormenores que seriam bastante interessantes.
O centeio foi transferido para a eira, a alguma distância. Optei por ir a pé, na companhia de outras pessoas.
Por sorte as pessoas que estavam a assistir à malhada recolheram-se à sombra o que prometia um espaço "limpo" para fotografar a malhada tradicional. Infelizmente alguns entusiastas da fotografia e vídeo apareciam por todo o lado rivalizando em protagonismo com os verdadeiro intervenientes.
Mais uma vez a malhada tradicional foi o momento mais alto das atividades. Notava-se que a experiência do ano anterior tinha sido benéfica, sobretudo para reavivar os procedimentos. Numa próxima realização poderia ser boa ideia dar oportunidade a quem nunca manejou o malho. Isto sem colocar em perigo a integridade física de ninguém, é claro.
Lembrei-me disto ao ver uma criança a brinca com o grão que ficou na eira, depois de todas as tarefas terminadas. Possivelmente nunca tinha visto o grão, quanto mais tido a oportunidade de enterrar as mãos e senti-lo escorregar por entre os dedos.
Foi servida a merenda, extensível à assistência, incluindo fotógrafos. Mais uma vez a enorme cabaça andou de mão em mão manchando de tinto as camisas dos menos experientes.
Regressámos à aldeia. Junto à capela do Senhor dos Aflitos organizou-se o "baile" que antecedeu o encerramento das atividades. Com arcos enfeitados e vestidos a preceito, vários grupos, penso que seria 3 um de cada aldeia, cantaram e dançaram como há já muito tempo não faziam. E foi neste ambiente de arraial que terminou a festa.
Este modelo com atividades a desenvolverem-se em três locais distintos tornou mais difícil o acompanhamento, mas criou outro envolvimento. Fiquei com a sensação que perdi muito bons momentos, mas isso só é razão para pensar já na próxima recreação. Espero que todos os envolvidos na organização destas atividades, que merecem ser aplaudidos e acarinhados, não percam o entusiasmo e mantenham o dinamismo que foi criado e que já faz a diferença, no concelho e para além dele.
Muito obrigado a todos.
17 agosto, 2012
Canção da segada (Adeganha)
Ó que alegria,
Já lá vem nossa criada.
Com jantar,
à nossa bela segada.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Ai que desgraça,
só me lembrei pelo caminho.
Com tanta pressa,
Lá deixei ficar o vinho.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
.Ora vá depressa,
Pedir vinho ao patrão.
Que nós sem vinho,
Não podemos segar pão.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Canção cantada na recriação da segada, em Adeganha, em 14 de julho de 2012.
Já lá vem nossa criada.
Com jantar,
à nossa bela segada.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Ai que desgraça,
só me lembrei pelo caminho.
Com tanta pressa,
Lá deixei ficar o vinho.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
.Ora vá depressa,
Pedir vinho ao patrão.
Que nós sem vinho,
Não podemos segar pão.
Nunca se viram,
Segadores alentejanos.
Virem segar,
À terra dos transmontanos.
Canção cantada na recriação da segada, em Adeganha, em 14 de julho de 2012.
20 julho, 2012
Ai Adeganha - Canção
Ai Adeganha, terra formosa,
Botão de rosa, não tem rival.
O seu encanto não era ainda,
Terra mais linda de Portugal.
Ai queira Deus que não se acabem,
Ai em Moncorvo as inspeções.
Rapazes novos vão para Lamego,
Não tem medo são valentões.
Ai a Adeganha está de luto,
Por enterrarem o S. João.
Foram dizer adeus à bandeira
O ai, de lenço branco na mão.
Recolha feita pelo movimento Adeganha - Aldeia Viva, para a recriação da Segada e Malhada Tradicionais a 14 de julho de 2012, em Adeganha.
Botão de rosa, não tem rival.
O seu encanto não era ainda,
Terra mais linda de Portugal.
Ai queira Deus que não se acabem,
Ai em Moncorvo as inspeções.
Rapazes novos vão para Lamego,
Não tem medo são valentões.
Ai a Adeganha está de luto,
Por enterrarem o S. João.
Foram dizer adeus à bandeira
O ai, de lenço branco na mão.
Recolha feita pelo movimento Adeganha - Aldeia Viva, para a recriação da Segada e Malhada Tradicionais a 14 de julho de 2012, em Adeganha.
18 julho, 2012
Segada e malhada tradicionais em Adeganha (2ªParte)
Continuação de: Segada e malhada tradicionais em Adeganha (1ªParte)
Depois de almoço fiz um passeio pela aldeia visitando alguns espaços onde decorriam atividades.
Na Capela de Nª Sª do Rosário passavam ininterruptamente registos do passado. Gostei de conhecer o interior da capela porque já tinha fotografado o exterior em 2008, numa das minhas primeiras visitas à aldeia.
Na antiga Escola Primária decorreram atividades ao longo de quase todo o dia e estava patente uma exposição. O tear era o centro das atenções. A senhora Isabel Marinho manejava-o com a mestria de quem passa muitas horas neste ofício. Isto porque não o faz apenas para exibição, mas porque este é o seu trabalho de todos os dias. Os batimentos secos e repetidos nas tiras de trapos e a cadência alternada dos pedais despertavam as mais inesperadas perguntas das pessoas que nunca tinham visto um tear a funcionar. Era possível perceber o tratamento do linho e da lã, conhecer os artefactos, tocar no linho, na estopa, na linhaça, e, para finalizar, apreciar bonitos trabalhos feitos em linho e em lã, não peças do passado, mas peças que atualmente ainda têm grande procura e são muito bem pagas.
Na escola funcionou a oficina de cardar e fiar, durante a manhã e oficina de urdir e tecer, durante a tarde. Também existiam espalhados pelo recreio jogos tradicionais como andas, piões, macaca, aro, etc.
Regressei ao largo, centro da festa. Não queria perder as principais atividades, a segada e a malhada. O campo a ceifar não era distante da aldeia. Pelo caminho ainda passei pelo forno, onde durante a manhã se fizeram económicos e pão, mas já "estava frio".
Pelas 5 da tarde chegou o "cortejo"! Foram muitas as pessoas que compareceram para verem e participarem na segada e malhada tradicionais. No mesmo horário estava ainda a decorrer na igreja de São Tiago Maior uma visita guiada (paga) patrocinada pela Direção Regional de Cultura do Norte, sendo impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo!
A segada começou num ambiente de festa. Eram mais os fotógrafos do que os segadores. Pareceu-me que os olhos de ambos brilhavam de entusiasmo. Alguns dos segadores não realizavam semelhante tarefa há algumas décadas!
Gritava-se - O burro gosta da palha! Esta frase nunca a tinha escutado, mas percebe-se rapidamente; é mais fácil e rápido cortar o cereal mais pelo alto do colmo, mas os verdadeiros "profissionais" cortavam a palha o mais rente ao solo possível, aproveitando-a ao máximo.
Cada um mostrou o melhor de si na seleção da granheira, no amanhar das gabelas e na feitura dos molhos. Os dedais ajudavam e as manadas eram fartas. Demonstrou-se a feitura dos banceilhos e os visitantes puderam aprender o manejo da seitoira e testar a sua destreza. Eu não quis ficar de fora.
Chegou a canastra com a merenda e cabaça do vinho (para fazer esquecer as bilhas com água). A merenda não passou de uma simulação. Não se fizeram relheiros e passou-se à acarraja. Alguns molhos foram carregados às costas pelos segadores, outros foram carregados num burro (coitado do burro que passou toda a manhã a passear turistas!).
A eira estava próxima. Tal como eu, muitos dos presentes pouca memória terão das malhadas feitas de forma manual, com um malho. Assisti, acho que pela primeira vez, ao astrar do cereal (espalhá-lo na eira para ser malhado), fazendo a covela, até o eirado ficar completo.
O trabalho violento e cansativo de retirar o grão da espiga com pancadas repetidas do malho não é comum em todas as zonas do nordeste. No Planalto Mirandês era feito com a ajuda de animais atrelados a uma alfaia própria, com o nome de trilho. O mesmo procedimento era utilizado para o grão-de-bico, tremoço e lentilhas.
Durante a malhada o grupo coral entoou algumas canções típicas da malhada. A primeira passagem, a decrua, é muito violenta e o bater cadenciado e sincronizado os malhos é a melhor "música" que se pode ouvir, mas, depois de virada a covela e o eirado, começa a entravessa (segunda passagem) com pancadas menos violentas das mangueiras.
Os cânticos foram recolhidos e previamente treinados. Na encenação das atividades de segada e malhada (e do baile) esteve o grupo de teatro "Alma de Ferro" de Torre de Moncorvo.
O vento não se mostrou colaborante, mas conseguiu-se separar o coanho ou rabeiras do grão após alguma insistência e muito jeito.
Terminada a tarefa, a merenda da malhada foi servida na sombra de um gigantesco sobreiro, próximo da eira, numa toalha, no chão. Convencidos de que haveria muitos candidatos para a merenda, apenas levaram 6 pratos, os suficientes para os malhadores! Mesmo assim, usou-se uma técnica antiga com várias pessoas a comerem do mesmo prato! O aspeto das migas de bacalhau era fantástico e o sabor ainda melhor. Estou convencido que numa situação real haveria na toalha muitas mais iguarias.
O grupo regressou ao largo das Amoreiras, para o ensaio do baile. Não ao som a música popular mas de canções tradicionais de Adeganha, dançadas em jogos de roda.
Vamos seguindo avante,
Caminhos da nossa aldeia,
Mostrando as nossas rendas,
Mais as nossas finas meias.
E nós os nossos calções,
Nossos pés tão delicados,
Nossos copinhos bem feitos,
Pelas damas invejados.
O "mestre" dos ensaios e impulsionador do evento, André, bem se esforçava por convencer os pares do baile de que os passos eram simples, mas alguns pés de chumbo teimavam em trocar a esquerda com a direita, ou em se agarrarem à mulher do par do lado. Depois de algumas repetições, as coisas começaram a funcionar. Eu também ensaiei alguns passos de dança.
Contrariamente àquilo que eu esperava, à ceia o movimento foi bastante menor do que ao almoço. Só na barraquinha onde eu almocei foram servidos mais de 70 refeições, mas à noite tudo esteve mais calmo. A ementa também era rica, eu aproveitei para terminar com as migas da segada e uma alheira assada nas brasas.
Pelo recinto, alguns grupos tentavam espetar pregos num cepo, para testarem quem seria o mais rápido. Não sei se pelo calor da bebida, ou se pela falta de luz (ou de jeito), a maior parte das marteladas saía ao lado.
Mais tarde atuou o grupo Mundibaile, que executou música para dançar, e executaram-se as danças treinadas ao fim da tarde. Já não estive presente nessa parte da festa, mas a julgar pelas fotografias que já vi, deve ter sido um final bastante animado.
Estas atividades designadas Segada e Malhadas tradicionais deram uma dinâmica diferente à aldeia de Adeganha, justificando a utilização das palavras Aldeia Viva. Essa dinâmica não apareceu no dia 14 de julho, iniciou-se muito antes, com investigação, planificação e ensaio. Tudo isto surgiu graças a um movimento designado Adeganha, Aldeia Viva que integra algumas pessoas envolvidas nos estudos arqueológicos a decorrer no vale do Sabor na consequência da seu aproveitamento hidroelétrico, com a tão polémica barragem e que residem temporariamente em Adeganha.
Houve também o apoio direto da ACE, consórcio formado para a construção da barragem e do grupo de teatro Alma de Ferro. A Junta de Freguesia "está sempre presente", como o seu Presidente me disse. Estranhamente a Câmara Municipal preferiu ficar à margem, apesar de ter sido solicitado o seu apoio.
De parabéns está toda a população de Adeganha e demais participantes. A sua entrega e simpatia são o que de melhor vi nesta iniciativa. Quando falei com uma pessoa do coro sobre o entusiasmo que ela colocava no canto, limitou-se a responder-me - Pudera, estou a representar À'deganha!
Nota de editor: Fotografias e texto de Aníbal Gonçalves.
Na Capela de Nª Sª do Rosário passavam ininterruptamente registos do passado. Gostei de conhecer o interior da capela porque já tinha fotografado o exterior em 2008, numa das minhas primeiras visitas à aldeia.
Na antiga Escola Primária decorreram atividades ao longo de quase todo o dia e estava patente uma exposição. O tear era o centro das atenções. A senhora Isabel Marinho manejava-o com a mestria de quem passa muitas horas neste ofício. Isto porque não o faz apenas para exibição, mas porque este é o seu trabalho de todos os dias. Os batimentos secos e repetidos nas tiras de trapos e a cadência alternada dos pedais despertavam as mais inesperadas perguntas das pessoas que nunca tinham visto um tear a funcionar. Era possível perceber o tratamento do linho e da lã, conhecer os artefactos, tocar no linho, na estopa, na linhaça, e, para finalizar, apreciar bonitos trabalhos feitos em linho e em lã, não peças do passado, mas peças que atualmente ainda têm grande procura e são muito bem pagas.
Na escola funcionou a oficina de cardar e fiar, durante a manhã e oficina de urdir e tecer, durante a tarde. Também existiam espalhados pelo recreio jogos tradicionais como andas, piões, macaca, aro, etc.
Regressei ao largo, centro da festa. Não queria perder as principais atividades, a segada e a malhada. O campo a ceifar não era distante da aldeia. Pelo caminho ainda passei pelo forno, onde durante a manhã se fizeram económicos e pão, mas já "estava frio".
Pelas 5 da tarde chegou o "cortejo"! Foram muitas as pessoas que compareceram para verem e participarem na segada e malhada tradicionais. No mesmo horário estava ainda a decorrer na igreja de São Tiago Maior uma visita guiada (paga) patrocinada pela Direção Regional de Cultura do Norte, sendo impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo!
A segada começou num ambiente de festa. Eram mais os fotógrafos do que os segadores. Pareceu-me que os olhos de ambos brilhavam de entusiasmo. Alguns dos segadores não realizavam semelhante tarefa há algumas décadas!
Gritava-se - O burro gosta da palha! Esta frase nunca a tinha escutado, mas percebe-se rapidamente; é mais fácil e rápido cortar o cereal mais pelo alto do colmo, mas os verdadeiros "profissionais" cortavam a palha o mais rente ao solo possível, aproveitando-a ao máximo.
Cada um mostrou o melhor de si na seleção da granheira, no amanhar das gabelas e na feitura dos molhos. Os dedais ajudavam e as manadas eram fartas. Demonstrou-se a feitura dos banceilhos e os visitantes puderam aprender o manejo da seitoira e testar a sua destreza. Eu não quis ficar de fora.
Chegou a canastra com a merenda e cabaça do vinho (para fazer esquecer as bilhas com água). A merenda não passou de uma simulação. Não se fizeram relheiros e passou-se à acarraja. Alguns molhos foram carregados às costas pelos segadores, outros foram carregados num burro (coitado do burro que passou toda a manhã a passear turistas!).
A eira estava próxima. Tal como eu, muitos dos presentes pouca memória terão das malhadas feitas de forma manual, com um malho. Assisti, acho que pela primeira vez, ao astrar do cereal (espalhá-lo na eira para ser malhado), fazendo a covela, até o eirado ficar completo.
O trabalho violento e cansativo de retirar o grão da espiga com pancadas repetidas do malho não é comum em todas as zonas do nordeste. No Planalto Mirandês era feito com a ajuda de animais atrelados a uma alfaia própria, com o nome de trilho. O mesmo procedimento era utilizado para o grão-de-bico, tremoço e lentilhas.
Durante a malhada o grupo coral entoou algumas canções típicas da malhada. A primeira passagem, a decrua, é muito violenta e o bater cadenciado e sincronizado os malhos é a melhor "música" que se pode ouvir, mas, depois de virada a covela e o eirado, começa a entravessa (segunda passagem) com pancadas menos violentas das mangueiras.
Os cânticos foram recolhidos e previamente treinados. Na encenação das atividades de segada e malhada (e do baile) esteve o grupo de teatro "Alma de Ferro" de Torre de Moncorvo.
O vento não se mostrou colaborante, mas conseguiu-se separar o coanho ou rabeiras do grão após alguma insistência e muito jeito.
Terminada a tarefa, a merenda da malhada foi servida na sombra de um gigantesco sobreiro, próximo da eira, numa toalha, no chão. Convencidos de que haveria muitos candidatos para a merenda, apenas levaram 6 pratos, os suficientes para os malhadores! Mesmo assim, usou-se uma técnica antiga com várias pessoas a comerem do mesmo prato! O aspeto das migas de bacalhau era fantástico e o sabor ainda melhor. Estou convencido que numa situação real haveria na toalha muitas mais iguarias.
O grupo regressou ao largo das Amoreiras, para o ensaio do baile. Não ao som a música popular mas de canções tradicionais de Adeganha, dançadas em jogos de roda.
Vamos seguindo avante,
Caminhos da nossa aldeia,
Mostrando as nossas rendas,
Mais as nossas finas meias.
E nós os nossos calções,
Nossos pés tão delicados,
Nossos copinhos bem feitos,
Pelas damas invejados.
O "mestre" dos ensaios e impulsionador do evento, André, bem se esforçava por convencer os pares do baile de que os passos eram simples, mas alguns pés de chumbo teimavam em trocar a esquerda com a direita, ou em se agarrarem à mulher do par do lado. Depois de algumas repetições, as coisas começaram a funcionar. Eu também ensaiei alguns passos de dança.
Contrariamente àquilo que eu esperava, à ceia o movimento foi bastante menor do que ao almoço. Só na barraquinha onde eu almocei foram servidos mais de 70 refeições, mas à noite tudo esteve mais calmo. A ementa também era rica, eu aproveitei para terminar com as migas da segada e uma alheira assada nas brasas.
Pelo recinto, alguns grupos tentavam espetar pregos num cepo, para testarem quem seria o mais rápido. Não sei se pelo calor da bebida, ou se pela falta de luz (ou de jeito), a maior parte das marteladas saía ao lado.
Mais tarde atuou o grupo Mundibaile, que executou música para dançar, e executaram-se as danças treinadas ao fim da tarde. Já não estive presente nessa parte da festa, mas a julgar pelas fotografias que já vi, deve ter sido um final bastante animado.
Estas atividades designadas Segada e Malhadas tradicionais deram uma dinâmica diferente à aldeia de Adeganha, justificando a utilização das palavras Aldeia Viva. Essa dinâmica não apareceu no dia 14 de julho, iniciou-se muito antes, com investigação, planificação e ensaio. Tudo isto surgiu graças a um movimento designado Adeganha, Aldeia Viva que integra algumas pessoas envolvidas nos estudos arqueológicos a decorrer no vale do Sabor na consequência da seu aproveitamento hidroelétrico, com a tão polémica barragem e que residem temporariamente em Adeganha.
Houve também o apoio direto da ACE, consórcio formado para a construção da barragem e do grupo de teatro Alma de Ferro. A Junta de Freguesia "está sempre presente", como o seu Presidente me disse. Estranhamente a Câmara Municipal preferiu ficar à margem, apesar de ter sido solicitado o seu apoio.
De parabéns está toda a população de Adeganha e demais participantes. A sua entrega e simpatia são o que de melhor vi nesta iniciativa. Quando falei com uma pessoa do coro sobre o entusiasmo que ela colocava no canto, limitou-se a responder-me - Pudera, estou a representar À'deganha!
Nota de editor: Fotografias e texto de Aníbal Gonçalves.
17 julho, 2012
Segada e malhada tradicionais em Adeganha (1ªParte)
Teve lugar no dia 14 de julho, em Adeganha, a realização de uma segada, seguida de malhada, tradicionais. Na verdade foi muito mais do que isto, dado que foi um dia inteiro de atividades, das quais vou dar o meu testemunho pessoal.
A notícia chegou-me via Facebook. Parece que não é só nas grandes cidades que se promovem eventos recorrendo às redes sociais, defeitos à parte, as tecnologias também têm as suas vantagens.
Cheguei a Adeganha a meio da manhã. Desde o IC5 que encontrei placas específicas sinalizadoras do local do evento. Isto demonstra a preocupação em facilitar a vida às pessoas.
No largo da Lameira a azáfama já era grande. As bancas de produtos locais estavam muito atrativas. Além de produtos da aldeia identifiquei bancas de Estevais e da Cardanha.
Havia uma exposição de alfaias ligadas ao cultivo do cereal e à feitura do pão. À entrada no recinto estava um carro de bois carregado de cereal, dando as boas-vindas a quem chegava.
Andando de um lado para o outro perdias atividades previstas para a manhã, que eram: yoga, oficina da lã e do linho, oficina do pão e dos bolos tradicionais.
O sino da igreja chamou os crentes para o culto. Alguns com um traje já pouco habitual, outros com um traje domingueiro mais atual, era sábado, mas de festa, todos se juntaram na antiquíssima igreja de S. Tiago para a Eucaristia. Meso com a presença dos visitantes, a igreja não encheu. Durante a celebração foram houve duas ideias que o sr. Padre realçou e me chamaram à atenção. A primeira tem a ver com o título do movimento que realizou a festa - Aldeia Viva. Também a igreja incentiva à entrega, à partilha à participação, só assim se pode ser um bom católico. A segunda ideia está intimamente ligada com a Eucaristia e com a partilha de Deus sob a forma de pão. "Eu sou o pão vivo, descido dos céus", cantou o grupo coral.
Após a Eucaristia aproveitei para apreciar a igreja. Não foi a primeira vez que a visitei, mas este monumento é merecedor de mais do que uma visita. A igreja é do séc. XIII sendo monumento nacional desde 1944. è um dos mais belos templos românicos de Portugal. Para além de outros elementos dignos de realce por especialistas, a mim agradam-me particularmente a figura das três mulheres no frontispício (que dão origem a uma curiosa historia, mas que possivelmente representam um parto) e o motivos representados na cachorrada, sobretudo zoomórficos com pássaros, touros, etc. No interior chamam à atenção dois altares laterais em talha dourada e os frescos nas paredes, bem ao estilo da Ermida de Nª Sª da Teixeira na freguesia da Açoreira.
Dirigi-me à pressa para o largo da Lameira. Estava à espera de uma cerimónia formal de bênção do pão, mas não chegou a acontecer!
À hora de almoço fiz uma passagem por todas as tasquinhas fazendo um "inventário" das possibilidades. A oferta era bastante variada, dentro dos tradições das segadas e malhadas. Havia rojões, carne estufada, milhos, feijão frade com atum, dobrada, caldeirada de borrego, migas de/e com bacalhau. A minha escolha recaiu sobre a tasquinha da Comissão de Festas de Nª Sª do Castelo. Acho que fiz uma boa escolha, e aponto apenas duas razões. Comi rodeado de gentes de Adeganha, a maior parte idosa, com quem conversei longamente . Neste grupo estavam, entre outros, o Sr. Moisés e o Sr. Francisco Barros, pessoas com a pele queimada de muitos sois e os dedos habituados aos dedais.
Antigamente a época da segada era longa. Começava na Vilariça, mais quente, na Horta ou Junqueira e prolongava-se durante mais de um mês, em altitude, lá para o Planalto Mirandês, no Variz, Urrós ou mesmo Duas Igrejas. Terminados os dias de trabalho, alguns regressavam de comboio, pela antiga Linha do Sabor, outros voltam a pé, com o burrico pela rédea e menos de 1000 escudos no bolso. E ... havia festa.
A segunda razão porque fiz uma boa escolha foi ementa. Paguei 7€, mas tive a possibilidade de provar todos os pratos ( e eram bastantes). Acompanhei tudo com salada de alface com porretas (folhas aéreas da cebola), mas havia batatas cozidas, a murro e arroz. Estava tudo excelente e não me coibi de dar os parabéns à D. Ermelinda Pinto pela confeção de tão fausto e e apetitoso almoço.
Como sobremesa havia laranjas e peras, tudo de produção local, arroz doce e, novidade para mim, milhos doces! Gostei desta iguaria tradicional.
É à mesa que se cultiva a amizade e a refeição serviu para eu me sentir integrado e à vontade com as pessoas de Adeganha. Conheci o Sr. Presidente da Junta, o já "amigo virtual" Bruno Moreira, revi os amigos Leonel Brito e Arnaldo Silva, da vila.
Depois de uma tão substancial refeição a solução foi queimar algumas calorias nuns passos de dança. A acordeonista Cristiana lançou a música a jeito e os mais animados não se fizeram rogados. O recinto era espaçoso e os dançarinos poucos (embora bons). Também se cantou o fado, por jovens e menos jovens. Se alguma desafinação houve, a culpa foi de certeza do acompanhamento instrumental e não da sangria, que estava ali mesmo ao lado.
Continua: Segada e malhada tradicionais em Adeganha (2ªParte)
A notícia chegou-me via Facebook. Parece que não é só nas grandes cidades que se promovem eventos recorrendo às redes sociais, defeitos à parte, as tecnologias também têm as suas vantagens.
Cheguei a Adeganha a meio da manhã. Desde o IC5 que encontrei placas específicas sinalizadoras do local do evento. Isto demonstra a preocupação em facilitar a vida às pessoas.
No largo da Lameira a azáfama já era grande. As bancas de produtos locais estavam muito atrativas. Além de produtos da aldeia identifiquei bancas de Estevais e da Cardanha.
Havia uma exposição de alfaias ligadas ao cultivo do cereal e à feitura do pão. À entrada no recinto estava um carro de bois carregado de cereal, dando as boas-vindas a quem chegava.
Andando de um lado para o outro perdias atividades previstas para a manhã, que eram: yoga, oficina da lã e do linho, oficina do pão e dos bolos tradicionais.
O sino da igreja chamou os crentes para o culto. Alguns com um traje já pouco habitual, outros com um traje domingueiro mais atual, era sábado, mas de festa, todos se juntaram na antiquíssima igreja de S. Tiago para a Eucaristia. Meso com a presença dos visitantes, a igreja não encheu. Durante a celebração foram houve duas ideias que o sr. Padre realçou e me chamaram à atenção. A primeira tem a ver com o título do movimento que realizou a festa - Aldeia Viva. Também a igreja incentiva à entrega, à partilha à participação, só assim se pode ser um bom católico. A segunda ideia está intimamente ligada com a Eucaristia e com a partilha de Deus sob a forma de pão. "Eu sou o pão vivo, descido dos céus", cantou o grupo coral.
Após a Eucaristia aproveitei para apreciar a igreja. Não foi a primeira vez que a visitei, mas este monumento é merecedor de mais do que uma visita. A igreja é do séc. XIII sendo monumento nacional desde 1944. è um dos mais belos templos românicos de Portugal. Para além de outros elementos dignos de realce por especialistas, a mim agradam-me particularmente a figura das três mulheres no frontispício (que dão origem a uma curiosa historia, mas que possivelmente representam um parto) e o motivos representados na cachorrada, sobretudo zoomórficos com pássaros, touros, etc. No interior chamam à atenção dois altares laterais em talha dourada e os frescos nas paredes, bem ao estilo da Ermida de Nª Sª da Teixeira na freguesia da Açoreira.
Dirigi-me à pressa para o largo da Lameira. Estava à espera de uma cerimónia formal de bênção do pão, mas não chegou a acontecer!
À hora de almoço fiz uma passagem por todas as tasquinhas fazendo um "inventário" das possibilidades. A oferta era bastante variada, dentro dos tradições das segadas e malhadas. Havia rojões, carne estufada, milhos, feijão frade com atum, dobrada, caldeirada de borrego, migas de/e com bacalhau. A minha escolha recaiu sobre a tasquinha da Comissão de Festas de Nª Sª do Castelo. Acho que fiz uma boa escolha, e aponto apenas duas razões. Comi rodeado de gentes de Adeganha, a maior parte idosa, com quem conversei longamente . Neste grupo estavam, entre outros, o Sr. Moisés e o Sr. Francisco Barros, pessoas com a pele queimada de muitos sois e os dedos habituados aos dedais.
Antigamente a época da segada era longa. Começava na Vilariça, mais quente, na Horta ou Junqueira e prolongava-se durante mais de um mês, em altitude, lá para o Planalto Mirandês, no Variz, Urrós ou mesmo Duas Igrejas. Terminados os dias de trabalho, alguns regressavam de comboio, pela antiga Linha do Sabor, outros voltam a pé, com o burrico pela rédea e menos de 1000 escudos no bolso. E ... havia festa.
A segunda razão porque fiz uma boa escolha foi ementa. Paguei 7€, mas tive a possibilidade de provar todos os pratos ( e eram bastantes). Acompanhei tudo com salada de alface com porretas (folhas aéreas da cebola), mas havia batatas cozidas, a murro e arroz. Estava tudo excelente e não me coibi de dar os parabéns à D. Ermelinda Pinto pela confeção de tão fausto e e apetitoso almoço.
Como sobremesa havia laranjas e peras, tudo de produção local, arroz doce e, novidade para mim, milhos doces! Gostei desta iguaria tradicional.
É à mesa que se cultiva a amizade e a refeição serviu para eu me sentir integrado e à vontade com as pessoas de Adeganha. Conheci o Sr. Presidente da Junta, o já "amigo virtual" Bruno Moreira, revi os amigos Leonel Brito e Arnaldo Silva, da vila.
Depois de uma tão substancial refeição a solução foi queimar algumas calorias nuns passos de dança. A acordeonista Cristiana lançou a música a jeito e os mais animados não se fizeram rogados. O recinto era espaçoso e os dançarinos poucos (embora bons). Também se cantou o fado, por jovens e menos jovens. Se alguma desafinação houve, a culpa foi de certeza do acompanhamento instrumental e não da sangria, que estava ali mesmo ao lado.
Continua: Segada e malhada tradicionais em Adeganha (2ªParte)
05 abril, 2009
Alminhas - Urros
As alminhas têm alguns ponto de contacto com as festividades que vivemos estes dias, a Páscoa. Páscoa também significa passagem, reunião do corpo com o espírito, êxodo ou passagem da morte para a vida. As alminhas representam também um lugar de passagem, o purgatório. Este culto tem raízes há vários séculos atrás e foi tão forte que ainda hoje encontramos em todas as aldeias pelo menos umas alminhas. Também estas representações estão normalmente em locais de passagem, encruzilhadas dos caminhos, ou então à entrada das localidades. Muitas lançam um aviso: "Vós que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando".Estas alminhas estão num muro, em Urros, a caminho do Santo Apolinário.
Quem estiver interessado neste tema das Alminhas, pode ler um texto que escrevi no Blogue - À Descoberta de Vila Flor.
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