A Câmara Municipal de Alfândega da Fé organizou, em parceria com a EDP, uma visita à estação arqueológica de Cilhades, no dia 7 de julho.
Não costumo ter uma postura tranquila quando vejo o logótipo da EDP envolvido. Sempre fui, e serei, contra as barragens no rio Tua e Sabor, mas achei que esta iniciativa é daquelas que se repetem poucas vezes e não quis perder a oportunidade. Contactei o posto de Turismo de Alfândega e fiz a minha inscrição (paravam-se 5€).
Cheguei a Alfândega pouco antes da hora prevista, as 2 da tarde. Percorri pela primeira vez a o IC5 entre a Vilariça e a Vila, parecendo-me o caminho bem mais curto e rápido. Ao chegar a Alfândega senti-me completamente "perdido". Não é normal eu ficar desorientado, direi mesmo desNorteado, mas acho que isso se deveu a ir com atenção ao GPS (só por curiosidade) que também não reconhecia a estrada.
Para piorar as coisas a vila está completamente "em pantanas". Há paralelos por todos os cantos, os passeios estão desfeitos e as ruas esburacadas. Não tem um aspeto muito acolhedor. Só me senti orientado quando cheguei ao centro.
À hora marcada estava cheio um mini-autocarro e uma carrinha de nove lugares, cerca de 30 pessoas. Ao que percebi a procura excedeu as disponibilidades da oferta, sendo necessário limitar as inscrições.
Conheço relativamente bem a estrada de Alfândega à Póvoa, já no concelho de Torre de Moncorvo. Gouveia, Adeganha, Cardanha e Póvoa são aldeias que já visitei várias vezes. Quase não dá para imaginar, mas a minha esposa já lecionou na Cardanha. Nessa altura os alunos da Póvoa deslocavam-se para a Cardanha num táxi!
Fizemos uma paragem nos estaleiros da barragem. Distribuíram coletes, capacetes e panfletos sobre a obra. O meu constrangimento começou quando iniciámos a descida até às margens do Sabor. A desolação é tremenda. Nunca frequentei uma área de guerra, mas foi essa a ideia com que fiquei ao ver quilómetros de montanhas esventradas.
Este triste cenário ficou para trás e aproximar-nos de Cilhades, no termo de Felgar, concelho de Torre de Moncorvo. Já tinha estado no local algumas vezes, por isso tinha alguma ideia do que iria encontrar.
A primeira paragem aconteceu no sítio arqueológico do Castelinho, alto amuralhado datado da Idade do Ferro. Este lugar era completamente novo para mim, mas tive dividir o tempo e a atenção entre a fotografia e a audição das explicações da equipa de arqueólogos no local. Fiquei positivamente surpreendido com a forma como o sítio foi apresentado, de forma simples, clara e creio que suficientemente histórica para todos perceberem o que se apresentava a nossos olhos.
O sítio fortificado parece estar datado da II Idade do Ferro, tendo um perímetro oval com cerca de 100 metros de comprido, com 60 de largo. A largura da muralha é de aproximadamente 4 metros mas no lugar mais acessível chega a ter 11 metros! Externamente há um conjunto de fossos a completar a linha defensiva. Na extremidade sul há uma rampa que dá acesso a uma entrada ladeada por dois torreões. Todo o interior está repleto de estruturas interessantes, que só os arqueólogos sabem descrever com exatidão.
Além das estruturas visíveis têm sido encontradas muitos fragmentos cerâmicos, fíbuários de vários tipos, um anel, várias moedas, etc. Embora o sítio não tenha sido romanizado (possivelmente não era suficientemente atrativo), as moedas encontradas eram romanas sendo uma datada do ano 7 a.C.
Também já foi encontrada uma cabeça antropomórfica, em granito. O que eu achei mais interessante foi mesmo um vasto conjunto de lajes em xisto, com os mais variados motivos gravados. Foi-nos mostrada uma no local, mas vimos um extenso conjunto delas nos estaleiro, na sala de Espólio.
A segunda paragem aconteceu na necrópole do Laranjal, a menor altitude, já no complexo de Cilhades. O nome Laranjal advém da existência de um conjunto de laranjeiras, numa zona com mais de solo. Mas as sepulturas ultrapassam essa zona e espalham-se pela encosta, umas simplesmente escavadas na terra, outras bem delimitadas e cobertas por lajes em xisto. Aqui foram encontrados muitos ossos e alguns esqueletos quase completos. A existência deste cemitério era do conhecimento de algumas pessoas de Felgar, dado que alguns artefactos foram surgindo à superfície denunciando a sua presença. Deve ser do período medieval.
Mais próximo das casas apresenta-se outra área onde há grande atividade de escavação. É o cemitério dos Mouros. A área é grande, mostrando muros de diferentes períodos, mas não nos foram mostrados elementos de relevo.
Visitámos algumas casas onde onde nos foi explicado como estavam organizadas e para que serviam.
Por último visitámos a pequena capela de S. Lourenço. Foram feitas prospeções no chão e nas paredes. É possível perceber que a capela tinha uma sacristia encostada, que foi destruída e o acesso tapado. A talha do altar estava coberta por uma tela.
É possível que a primeira capela se situasse no antigo cemitério do Laranjal. Há no local uma estrutura mais elaborada, com algumas pedras em granito, que pode bem ser a base de uma pequena capela. Foi também nesta área que foi encontrada uma ara votiva de granito dedicada a Tutela, um dos achados mais recentes mais relevantes. Já anteriormente tinha sido encontrada no local outra ara votiva dedicada a Denso (ambas divindades tutelares).
A capela de S. Lourenço vai ser transladada para um local mais elevado, na margem oposta do rio.
Abandonámos Cilhades. O dia estava luminoso mas fazia algum vento e a poeira dificultou a visita e a audição das explicações, mas fiquei bastante satisfeito com o que vi, ouvi e fotografei.
A paragem seguinte foi junto ao paredão da barragem. Quando atravessámos o leito do rio (moribundo), parecia que o paredão era gigantesco, mas quando nos colocámos à altitude a que vai chegar deu para perceber que ainda vai ser necessário fabricar muito betão (para contentamento do eng, Sócrates). O paredão vai ter 123 metros de altura. Os poços onde vão ficar as duas turbinas estão completamente enfiados na montanha granítica, não se vendo mais do que o local de saída da água para o exterior. Não vai haver nenhum sistema a possibilitar a circulação de peixes. Na barragem mais pequena, a jusante, será construido um percurso alternativo (via ribeira da Vilariça) para a circulação dos peixes. Espero bem que isso não fique só no plano das intenções, como está a ficar a alternativa ferroviária, na Linha do Tua, na barragem de Foz-Tua.
Quando a barragem estiver concluída vai ser possível circular. O estradão que serve para os camiões vai ser transformado em estrada e estão já marcados alguns miradouros!
Toda a maquinaria estava em funcionamento, produzindo betão, que era despejado no paredão. Mesmo não partilhando da miragem do progresso e do benefício nacional que algumas pessoas veem nestas estruturas, não deixa de ser impressionante a capacidade do homem organizar tanta maquinaria, cabos, tubagens, etc. sendo capaz de mover montanhas.
Voltámos a atravessar o leito seco do rio em direção a Póvoa, onde se situam os estaleiros e o Gabinete de Espólio. A par do Castelinho e da necrópole do Laranjal, este foi um dos locais mais interessantes da visita. É impressionante o espólio recolhido! Foram-nos mostrados os achados mais importantes, podendo fazer perguntas e tirar fotografias. No entanto, fomos alertados para o facto de não deveram ser publicadas fotografias, o que me deixou bastante limitado. As lajes em xisto com guerreiros a cavalo, veados, javalis, ou simples padrões de riscas, ou estrelas impressionaram-me.
Nem todo o espólio está tratado, existindo muitos achados encaixotados à espera da sua vez. Acredito que haja grande entusiasmo, porque os achados são de relevo e têm sido apresentados em encontros de arqueologia em Portugal e Espanha.
Se eu já tinha reservas quanto à construção da barragem - não me consigo esquecer que vai destruir território da Rede Natura 2000 - agora fico com a certeza de que também vai submergir importantes sítios arqueológicos. É que além daqueles que estão a ser estudados, e só do período românico já são bastantes, quantos mais se perderão para sempre?
Está assumido que a barragem vai produzir pouca energia, não vai servir para rega, funcionando principalmente como reserva de água e de energia! Está por estudar o duplo sistema de turbinagem e bombagem e a experiência já está a ficar-nos cara, mesmo sem sabermos se vai dar resultado. Será que as eólicas vão cumprir a sua função? Será que os parques eólicos conseguem manter-se sem os exagerados apoios estatais? São muitas perguntas por responder.
Terminada a visita à sala de Espólio terminou também o programa de visita, com o regresso a Alfândega da Fé, um pouco depois da hora prevista, porque toda a gente estava bastante entusiasmada.
Independentemente da minha posição em relação à construção da barragem gostei muito da visita. Cilhades e a zona envolvente, são espaços de acesso livre, podendo ser visitados. Os arqueólogos presentes mostraram disponibilidade para prestar esclarecimentos a potenciais visitantes. A obra do Escalão e a Sala do Espólio só são acessíveis em visitas autorizadas pela EDP, em iniciativas semelhantes a esta.
Ainda não está definido, ou eu não consegui perceber, o destino a dar ao espólio. As equipas de arqueólogos farão a divulgação gradual, em encontros ou artigos científicos, mas que não chegam ao grande publico. É natural que Torre de Moncorvo esteja interessado em manter e mostrar todo este espólio. A antiga escola Primária de Felgar pode ser a solução. Será necessário bastante espaço porque o espólio já é vasto e variado, mas, pelo que li, a referida escola tem 6 salas e alguma área coberta. O importante é não deixar sair o espólio da região, tal como já aconteceu com outro, nomeadamente algum encontrado no vale da Vilariça.
Já em Alfândega da Fé decidi não usar o IC5 para voltar a casa. Percorrer as estradas estreitas e sinuosas do concelho é uma coisa que me dá muito prazer. Posso fazer inúmeras paragens, conhecer as pequenas aldeias e Descobrir as belezas do concelho.
Nota:
Esta reportagem foi inicialmente publicada no Blogue À Descoberta de Alfândega da Fé, porque a visita foi organizada pelo município Alfandeguense, mas, como o território visitado se situa no concelho de Torre de Moncorvo, pareceu-me bem republica-la aqui.
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19 julho, 2012
12 julho, 2012
04 janeiro, 2012
Barragem do Baixo Sabor descobre vestígios da idade do ferro
A construção da barragem do Baixo Sabor pôs a descoberto um castro e uma necrópole medieval perto de Felgar, Torre de Moncorvo. São achados arqueológicos considerados de valor. A preservação já está a ser estudada. Na necrópole foram descobertas 90 campas e sete esqueletos já foram estudados, são de mulheres e de crianças. Foi já identificado também um achado raro, um anel. Há ainda uma capela. As estruturas do castro estão já a ser consolidadas.
2011-12-30 14:20:04
Fonte: RTP
28 março, 2010
26 março, 2010
04 dezembro, 2009
Águas turvas
As águas do Sabor que se juntam às do Douro apresentam uma cor bastante terrosa. A tranquilidade reina na Praia Fluvial da Foz do Sabor. É um bom lugar para meditar nos estragos que andam a fazer na bacia do Sabor.
26 agosto, 2009
Plataforma Sabor Livre não desiste de travar a barragem do Baixo Sabor
A Comissão das Petições do Parlamento Europeu vai analisar na próxima terça-feira uma queixa apresentada pela Plataforma Sabor Livre (PSL) contra a construção da Barragem do Sabor.Apesar de estar em construção há mais de um ano, aquele empreendimento hidroeléctrico no concelho de Torre de Moncorvo tem sido alvo constante de processos judiciais movidos pelo movimento ambientalista. As obras chegaram a estar suspensas durante o mês de Janeiro deste ano por causa de um providência cautelar interposta pela PSL, que depois foi rejeitada pelo Tribunal Administrativo de Mirandela.
A queixa que vai ser analisada no dia 1 de Setembro pela Comissão das Petições garante que “a construção da barragem no vale do rio Sabor constitui um atentado à conservação da natureza e não tem utilidade energética”.
A PSL requereu ao Parlamento Europeu para sugerir à Comissão Europeia a "não atribuição fundos estruturais" à construção da barragem e também para que garanta que as autoridades portuguesas “suspendam o projecto" até satisfazerem as condições previstas para conservação da natureza.
Eduardo Pinto/Rádio Ansiães
28 julho, 2009
Poema ao Rio Sabor

Lembras-me águias-reais
Deslizas tão indolente
Saudades cada vez mais
Deste rio… desta gente
No teu espelho de água
Onde me delicio a rigor
Apenas me fica a mágoa
Não te ver mais vezes...Sabor
Em ti deito o meu olhar
E ao descansar no teu leito
Quanto mais me aproximar
Mais te colocas a preceito
Cresce em mim a ansiedade
Em ti coloco o meu peito
Deste rio… tanta saudade
Lembras-me um amor-perfeito
As tuas águas tão livres
Passam calmas e silenciosas
Ultrapassam pequenos declives
Nas imensidões invernosas
Nas tuas margens verdejantes
Olho tudo em teu redor
E as papoilas saltitantes
Lembram-me o meu amor
Quando te ouço cantar
Penso seres… uma sereia
Que vontade de te amar
Que saudade… da minha aldeia
Fernando Silva
nota: enviado por email
Fotografia: Rio Sabor (08-05-2008)
22 junho, 2009
Viagem

(Excerto)
....
Com o pecado do jardim praticado,
Com o fruto amaldiçoado, de tanto desejado,
De sagrado a profano foste condenado.
Saído do centro materno sagrado,
Após pela terra teres vagueado,
Ao centro da terra foste levado,
Para daí ao sagrado seres retornado.
Aí, na gruta, é o novo caminho iniciado.
A caveira parada, a ampulheta fugindo,
Do negro, eterno, nada saindo,
Profundo, o negro, tudo engolindo.
E a espiga de trigo, loira, da cor do trigo,
Prenhe de vida te sorrindo,
Numa luz de aurora se abrindo,
Numa planície sem fim, da cor do trigo!
....
J. Rodrigues Dias
A Fotografia mostra uma flor de alho e foi tirada na Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça.
06 julho, 2008
14 junho, 2008
Entre a ponte do Sabor e as ruinas da Vila Velha

O desafio de partir À Descoberta do concelho de Torre de Moncorvo, não tem nada de difícil, só é necessário partir. Desta vez escolhi dois motivos bastante próximos: a Ponte do Sabor e as ruínas da Vila Velha de Santa Cruz.
A tarde não estava muito convidativa. Quem vive ou já viveu em Moncorvo, sabe o que significa fazer calor, nestas paragens! Talvez por isso, o Rio Sabor já era frequentado por um número considerável de pessoas, a pescar, a brincar na água, ou mesmo a apanhar sol, que apesar de encoberto, cada vez que se mostrava, “queimava” a pele.

Parei o carro mesmo junto à ponte do Sabor, na EN325. Esta foi intervencionada recentemente, ao nível dos pilares, do tabuleiro, da pavimentação e dos passadiços marginais, estando agora com um aspecto impecável. A ponte mostrava já o peso da idade, apresentando mesmo algum risco ao trânsito. O seu futuro é incerto. Não “encaixa” no traçado do IP2, e, com a tão badalada Barragem do Sabor, corre o risco de ficar submersa. Na estrada, entre a ponte e a Quinta da Portela está marcada nas rochas, a cal, a cota 139 metros. Terá essa marcação algum significado? A ter, a água chegaria muito perto das casas da Quinta da Portela!

Desci ao rio a jusante da ponte. Um casal de aves de rapina fazia um gracioso bailado e enormes peixes debatiam-se nas águas pouco profundas sobre um banco de areia ali próximo. Penso que a época da desova já passou!
Disparei algumas fotografias em direcção à ponte. A sapata dos pilares foi reforçada e todas a juntas estão tapadas. Os sete arcos de volta redonda são desiguais. Há olhais rectangulares sobre cada um dos fechos dos arcos. Os passeios apoiam-se numa cachorrada, como a que existe em algumas igrejas! As guardas são de ferro, novas. As antigas foram substituídas na última interverção. A ponte foi construída na idade média, mas foi alterada no Séc. XIX. O seu aspecto a montante e a jusante, é bastante semelhante, à excepção dos contrafortes do arco central que apresentam reforços, a montante.

Na erva verde da margem do rio encontrei as primeiras flores de fel-da-terra (Centaurium umbellatum), com o seu rosa característico, que encontraria em quantidade no alto do cabeço.
A subida até às muralhas da antiga vila de Santa Cruz da Vilariça, Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça ou Derruida, foi penosa. Caí na asneira de ir de calções. Além dos danos causados nas pernas, cheguei ao fim do passeio com quase meio quilo de sementes espetadas nas sapatilhas e nas meias, de cada pé! Apesar de a pujança de Maio e Abril já ter passado, ainda há muitas plantas em flor e rapidamente me esqueci das dificuldades, para começar a desfrutar do passeio. Encontrei muitas borboletas, abelhas, aranhas e toda a qualidade de bicharada. Também o cuco fazia ouvir o seu canto lá para os lados das Cabanas. O perdigão procurava parceira num monte próximo. À medida que ia subindo, ia-se alargando o horizonte e compreendi porque razão o homem aqui se fixou, desde o Séc. XII.

Não foi a primeira vez que visitei estas ruínas, já aqui tinha estado em 1992. Sempre gostei de passear nestas montanhas! Tinha prazer em fotografar os lírios em flor, que aqui abundam. Curiosamente encontrei frutos com sementes de lírio (Iris germanica), estava convencido que apenas se reproduziam por caules (rizomas)!
As ruínas da vila, que além das designações que já disse contou ainda com a de Vila Rica, Mesquita, Roncal e São Mamede, estão situadas num cabeço com 245 metros de altitude, entre a Ribeira da Vilariça e o Rio Sabor. Estranhamente poderá ter sido esta proximidade a tanta humidade que ditou a sua morte, contrariamente à lenda do ataque de formigas, que já tantas vezes ouvi contar.
No início do séc XIII Vila de Santa Cruz da Vilariça, recebeu, de D. Sancho II, uma carta foral que lhe concedia importantes isenções a regalias fiscais e penais. A mudança da população para Torre de Moncorvo deve ter-se dado no final desse século, sendo possível que os dois povoados tenham coexistido.

A localidade tinha muita importância, era sede de concelho na Idade Média, abrangendo parte dos actuais concelhos de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Torre de Moncorvo.
Percorri toda a plataforma antes de me dirigir ao ponto mais alto, ao centro. A muralha ainda está bastante preservada, tem vários metros de altura nalguns locais, sendo ainda intransponível. Há pontos em que se distingue mais de uma muralha. A poente são bem visíveis os restos de dois torreões, circulares, que deviam ladear a única entrada. Em vários pontos distinguem-se restos de paredes de casas e de caminhos.

Por fim, dirigi-me ao ponto mais elevado das ruínas. Aqui existem sepulturas escavadas nas rochas, junto do local onde se pensa ter sido a igreja. Ainda se distinguem algumas paredes e encontrei blocos de granito rusticamente aparelhados. Todas as muralhas e paredes interiores são construídas em xisto, por isso chama a atenção a existência de granito neste ponto. Também há argamassa presa a algumas pedras, não sei se se trata de cimento. É um sinal mais do que evidente da existência de uma construção até uma data bem recente. Não me admirava que depois da vila ter sido abandonada, aqui se tenha mantido a igreja, ou uma capela, durante vários séculos.

Já por diversas vezes aqui foram feitas escavações. É uma pena não haver um estudo mais aprofundado deste local. Imaginei-me a participar nas escavações, deve ser muito interessante esse tipo de trabalho.
O local está em completo abandono. Cresce mato por todo o lado e, mesmo para aqueles que se interessem em o visitar, não é uma tarefa fácil. Pior do que subir ao local, que pode ser feito por um caminho partindo da Quinta da Portela, é a circulação em volta e no interior das muralhas. Nalguns lugares é mesmo impossível circular.Do alto do cabeço tem-se uma vista ímpar sobre o vale. Procurei um lanço de muralha mais segura e instalei-me para saborear o final de tarde. Não pude deixar de sorrir com a velocidade com que os veículos circulam ao longo do vale! O som do acelerador a fundo perturba a calma do morro. Que feliz me sinto por poder desfrutar destes momentos de paz!
O sol foi-se encolhendo. A luz subiu pelo Reboredo acima com a mesma calma com que as águas do Sabor se diluíam no Douro, lá ao fundo, na Foz. Os insectos pareciam agitados, tentando aproveitar os últimos raios de sol. Também eu queria aproveitar todos os momentos. Liguei o flash e “persegui-os”, até nos momentos mais íntimos.

Quando só já havia silêncio em redor, desci a encosta, de novo em direcção à Ponte do Sabor.
Não me arrependi das escolhas que fiz para este passeio. Dividi-me entre a ponte e a vila, entre a água e a montanha, entre a história e a suposição, entre a beleza das pequenas formas de vida e a imensidão de um vale que nos surpreende e encanta, sempre que paramos para o olhar.
04 junho, 2008
Antes que o verde se apague
São flores ou alvas nuvens que desceram do céu para dar alegria ao verde?Umbelíferas junto ao Rio Sabor.
08-05-2008
11 maio, 2008
De todas as mil formas

Perdido no verde dos freixos e salgueiros,
Embalado no canto do papa-figos e do rouxinol
Comi amoras, molhei os pés,
Ouvi a música do rio e ribeiros.
Colhi um ramo de buxo.
Com alecrim o perfumei.
Juntei-lhe pérolas de cor,
Jóias de cheiros,
De todas as mil formas que encontrei.
E quando em minha mão já não cabia,
Coloquei-o de mansinho na corrente.
Fiquei a olhá-lo, enquanto se perdia.
Foi-se, fiquei contente.
Como posso eu querer guardar
Toda a beleza que a Primavera tem para dar?
Rio Sabor, Maio de 2008.
09 maio, 2008
Por esse rio acima
Depois de um voo nos ares do Reboredo, um passeio ao profundo vale onde um rio espera, espera.A paisagem é magnífica e fotografei-a no dia 8 de Maio, durante a manhã, ao som de uma sinfonia de rouxinois, rolas e papa-figos.
Pela tarde choveu bastante. É possível que os peixes retidos no seu ímpeto reprodutor, tenham oportunidade de subir o Rio, por uma última vez.
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