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21 março, 2014

Reboredo

Oh Serra do Reboredo
Tua alma abre-so no vento
E leve e subtil o sou pulsar
Marca o pensamento
Dos teus filhos
Lá longo dos teus pinhos longínquos.

Oh Serra do Reboredo
O cheiro dos teus cedros
Deixou um rasto tão fundo
Que no fundo do tempo e do mundo
Ainda impregnará as mãos
Que um dia os tocaram.

Oh Serra do Reboredo
Asa protectora de ave sábia
Que atravessou o mar,
Viu a terra, sorveu o ar
E regressou ao ninho
Antiquíssimo.

 Oh Serra do Reboredo
Que vives na terra
Que vive em meus dedos
Tenho um segredo
A brisa to leva e ao ouvido to diz:
"Não te esqueci".

Poema de Júlia de Barros Biló
(1953)
Do livro "Somos Poeira, Somos Astros".

28 setembro, 2013

Outono


Outono vai-se embora
Ficam, as folhas caídas
Sempre que chega a hora
Ficam as árvores despidas.

Vêm os dias escuros,
Chuvosos,de nevoeiro.
Vem o Inverno a seguir
Até acabar o Fevereiro.

Mas é também no Outono
O dia de São Martinho.
Bom é o convite de dono
Para provar o seu vinho.

É o tempo das castanhas
E de fizer a marmelada.
Outono tem suas manhas
Para não ficar sem nada.

Tem dia de todos os Santos
Tem o dia dos Finados.
Recordam-se todos os prantos
Do ente querido lembrado.

É o tempo das sementeiras
Começam a cair orvalhos
Acendem-se já as lareiras,
Agradecem-se os agasalhos.

No Outono fazem-se as vindimas
Levam as uvas para o lagar.
Já não se ouvem concertinas
Nem os homens a pisar.

Outono é melindroso,
Não faz frio nem calor.
E. por vezes é chuvoso
E bom tempo para o pastor.

Secam os meloais,
Secas ficam as fontes.
Caçadores já são demais
A caminhar pelos montes.

Nozes, castanhas e avelãs
São frutos secos de Outono;
Diospiros, marmelos e romãs
Dão rendimento ao dono.

Poema do livro "Versos da Minha Terra", da autoria de José Manuel Remondes, editado em 2004 pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.
Fotografias: 1- vinhas em Cabanas de Cima;
2 - Folhas de árvore junto à antiga estação do caminho de ferro de Torre de Moncorvo.

08 março, 2010

Amendoeiras em Flor - Peredo

Apesar da muita chuva que teima em não nos deixar descansados, as muitas amendoeiras que ainda resistem nos magros solos do concelho cobrem-se do seu manto branco, só para nos deliciarem.
Para acompanhar estas fotografias, não encontro melhor do que o poema de Júlia Barros Biló, do seu livro Somos Poeira, Somos Astros, do qual transcrevo uma "pétala" com a devida vénia à autora.

Quisera ser pintor
Para na tela deixar o deslumbre
Do branco único, perdido,
Em cada pétala da flor
de amendoeira.
Da levíssima pincelada rósea no anel
Dos estames sedosos, cor de mel;
Do brilho translúcido, macio
Como afago de um beijo sentido
Num sonho fugidio.

03 agosto, 2009

Pensamentos profundos

Há temas pouco abordados, quer na poesia, quer na prosa. Talvez porque é desagradável falar neles, ou simplesmente por um desvio inconsciente de se falar ou escrever sobre o que mais nos atemoriza.
É interessante quão poucas são as pessoas capazes de expor de alguma forma o que pensam sobre a morte. Assunto mórbido, dirá a maioria. Claro ! E com razão. Mas o certo é que de alguma forma, mais cedo ou mais tarde, com mais ou menos frequência, com ou sem intenção, este assunto surge sem convite.
Eu costumo dizer que o facto de acreditarmos numa realidade, de maneira nenhuma nos obriga a aceitá-la. O que é mau é sempre mau, bem que nalguns casos o que é mau, seja de certa forma um alívio de algo pior.
Ter medo, às vezes é saudável, pode proteger-nos de muitos perigos, mas sinceramente o medo de viver é bem mais assustador do que o de morrer.
Isto, porque enquanto vivemos existe algum poder, limitado é verdade, mas existe. Podemos direccionar sentimentos, tomar decisões e orgulhár-mo-nos delas, controlar de alguma forma aquilo que dizemos e fazemos, admirar com todos os nossos sentidos o que de mais maravilhoso possamos encontrar, … mas sem fugir à realidade. Sim, podemos dar-nos conta também de ter como provável ou certo algo mau, mas a consequência dessas certezas num ser inteligente e capaz como o de um ser humano devia ser o de desfrutar com apreço, respeito e amor o que de mais frágil e valor temos: a vida.
A morte

A morte, inimiga de quem ama,
amiga do sofrimento e da saudade.

Todos a temem,
menos aqueles que ela já arrebatou.

A morte, tira a vida mas não a apaga.
Rouba as vidas de quem as possui,
mas não elimina as lembranças de quem continua a viver.

Por isso, vivamos com todo o vigor
e façamos viver aqueles que partiram
com forte recordação.

Séfora R.

(enviado por email)

30 julho, 2009

Amar é...


Amar é

dar provas e não testar
edificar sem derrubar
ter e não exigir,

é alimentar o conseguido
preservar o já vivido
nada dando por conquistado.

Amar é

ser incondicional
independentemente do mal
que na vida pode arrastar,

é apoiar sem reservas
mesmo que nas trevas
ás vezes nos faça andar.

Amar é

acrescentar sem subtrair
ser leal e não trair
mesmo num mundo sem valores,

é estar sempre apaixonado
viver a vida empenhado
em demonstrar carinho e afecto.

Amar é sobretudo
ser macio como o veludo
e leve como uma flor,

é apesar e acima de tudo
conseguir sem sufocar
o fazer sentir o outro
o significado da palavra amar.

Poema dedicado ao meu marido, com quem venho de completar 12 anos de casamento.
Séfora R. para Solitário.

28 julho, 2009

Poema ao Rio Sabor


Lembras-me águias-reais
Deslizas tão indolente
Saudades cada vez mais
Deste rio… desta gente

No teu espelho de água
Onde me delicio a rigor
Apenas me fica a mágoa
Não te ver mais vezes...Sabor

Em ti deito o meu olhar
E ao descansar no teu leito
Quanto mais me aproximar
Mais te colocas a preceito

Cresce em mim a ansiedade
Em ti coloco o meu peito
Deste rio… tanta saudade
Lembras-me um amor-perfeito

As tuas águas tão livres
Passam calmas e silenciosas
Ultrapassam pequenos declives
Nas imensidões invernosas

Nas tuas margens verdejantes
Olho tudo em teu redor
E as papoilas saltitantes
Lembram-me o meu amor

Quando te ouço cantar
Penso seres… uma sereia
Que vontade de te amar
Que saudade… da minha aldeia

Fernando Silva

nota: enviado por email
Fotografia: Rio Sabor (08-05-2008)

27 junho, 2009

A vida está difícil


I
Já trabalhei em muito lado
que já me sinto cansado
de lutar para viver,
não sou pobre nem sou rico
mas ao pensar na vida fico
sem saber o que fazer.

II
O viver é um prazer
se houver saúde e não se sofrer
mas hoje o mundo é castigado,
o viver bem é um brio
e para a vida um desafio
para se esquecer o passado.

III
Foi a minha mocidade
bonita na verdade
alegre e bem sucedida,
trabalhar era o meu lema
a humildade foi o sistema
que me fez alguém na vida.

IV
Hoje é difícil viver
mas ainda não quero morrer
quero gozar da liberdade,
ainda quero ver e sentir
a minha vida a sorrir
com saúde e felicidade.

V
Muita gente se anda a queixar
dizendo que a vida está a piorar
está difícil viver,
o trabalho está a fraquejar
aonde se vai chegar
não ganhando para comer.

VI
Invejosos e falsos amigos
são atropelos e inimigos
sem se dar a perceber,
a vida está ficando ingrata
está boa para os de gravata
que ganham bem para viver.

VII
Quanta gente neste país
vive triste e não feliz
e não goza de alegria,
já nem a saúde resta
esta democracia não presta
está podre e doentia.

VIII
Haverá muito que sofrer
se o mundo não se entender
porque o amor está a acabar,
mas são os que mais ganham
os que mais arrebanham
e os que sabem roubar.

IX
Amigos já há poucos
os homens vão ficando loucos
pela ambição do dinheiro,
já não existe amizade
só há inveja e falsidade
Vive-se num mundo matreiro.

X
Hoje é difícil viver
o que devemos fazer
é pedir a quem nos pode ajudar,
porque não há justiça pela razão
nem bondade e compreensão
já pouca gente sabe amar.

J. M. R.

Abril de 2009

Fotografia: Estendal em Peredo dos Castelhanos.

22 junho, 2009

Viagem


(Excerto)
....

Com o pecado do jardim praticado,
Com o fruto amaldiçoado, de tanto desejado,
De sagrado a profano foste condenado.

Saído do centro materno sagrado,
Após pela terra teres vagueado,
Ao centro da terra foste levado,
Para daí ao sagrado seres retornado.

Aí, na gruta, é o novo caminho iniciado.
A caveira parada, a ampulheta fugindo,
Do negro, eterno, nada saindo,
Profundo, o negro, tudo engolindo.

E a espiga de trigo, loira, da cor do trigo,
Prenhe de vida te sorrindo,
Numa luz de aurora se abrindo,
Numa planície sem fim, da cor do trigo!

....

J. Rodrigues Dias

A Fotografia mostra uma flor de alho e foi tirada na Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça.

13 junho, 2009

Pomba

Hoje,
Amigo,
Chegou-me uma carta.
Com uma Pomba!
Não acreditas?
Acredita, por difícil que te seja acreditar,
Mesmo sabendo tu e eu que a Pomba,
Sorrateiramente,
Quase sem ninguém notar,
Fora posta a hibernar!

Então,
Amigo,
Chegado é o tempo
Do tempo a ter acordado
Para de novo se ter libertado!

E a Pomba voar
Para a todo o lado chegar!

E a todos acordar
Deste doentio hibernar!

6-2-2009
J. Rodrigues Dias

A fotografia foi tirada na sessão de Birdwatching, organizada pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo a 24 de Maio de 2008.

26 maio, 2009

A dádiva da vida


Somos, estamos, sentimos
tudo isto a vida nos oferece
até quando com a morte partimos
nossa lembrança em alguém permanece.

É bom saber que estamos vivos
mesmo quando a tristeza aperta,
é verdade, às vezes andamos perdidos
não tendo atitude certa.

Da vida nunca nos devemos fartar
ela é uma dádiva preciosa
devemos sempre acreditar
que connosco é bondosa.

Insaciáveis devemos ser
no que à vida diz respeito
tirar dela todo o prazer
e apreciar todo o seu feito.

Viver é bom é verdade,
mas temos de ter algumas regras
não esquecer a lealdade
quando na vida surgem pedras.

Com tanto imprevisto e desgosto
alguns perdem o rumo
depois partem do pressuposto
Que tudo é como o fumo.

Concordo que na realidade
nem sempre é fácil viver
mas o melhor é ter simplicidade
na nossa maneira de ser.

Bem ou mal nos corra a vida
devemos sempre nos lembrar
que a nós foi concedida
e temos de a respeitar.

Se assim formos positivos
é fácil o que é bom encontrar
seremos mais permissivos
e mais fáceis de amar.

Concluindo meus amigos:
vivam com intensidade
não se iludam com destinos
e sejam felizes de verdade.

Enviado por Séfora R.

21 maio, 2009

Primavera triste


A primavera chegou sem esperança trazer.
O fogo do desespero consome campos e fábricas,
Consome sociedades e nações,
Consome continentes,
Consome corações.
As falsificações aumentam
E aumentam as corrupções.
Punições, nada!

Que justiça, Senhor?!

Os despedimentos explodem
E matam as fomes.
Como é possível tudo isto acontecer
Sem nada se fazer?

Pergunto-me, sem resposta ter:
Como deixaram eles a tudo isto chegar,
Sem nada prever,
Sem nada vislumbrar,
Sem nada dizer,
Para cada um se precaver?

Ouso, contudo, responder-me
Que eles sabiam,
Eles sabiam,
Que eles pelo menos pressentiam,
Pois tinham que antever,
Que isso teria que ser seu dever e saber.
Infelizmente, nada:
Nem ver, nem dever, nem saber nem nada!

Ouso ainda pensar
Que no seu conhecer,
Ou no seu pressentir,
Nada quiseram fazer
A não ser para o lado olhar
E a outros deixar o agir.

A outros, iguais,
Sem agir,
Ou a fingir,
Para o lado olhar,
A assobiar,
A fortunas ganhar!

Que triste esta primavera,
Sem esperança trazer,
Com sonhos feitos a desfazer,
Ou sem sonhos poder ter,
As gentes tristes a sofrer,
Os corações a sangrar,
Sem responsáveis castigar,
Sem justiça haver nem ter!

Este é o mundo!
Talvez o mundo a merecer
Sem primavera de esperança haver.

Culpa?
Talvez tua e minha,
Por neles confiança ter!

J. Rodrigues Dias
2009-03-24

19 maio, 2009

Fazer transpirar a alma por exercitar o pensamento


Ninguém pode ignorar as imensas faculdades que nos foram concedidas,
ninguém pode negar quão bom é podermos dar-nos conta que temos o poder de meditar, decidir e consequentemente agir.
Infelizmente hoje são poucos, mesmo muito poucos, aqueles que têm a sabedoria e riqueza de espírito para avançar no universo do pensamento.
Pensar, parece algo tão simples, tão rotineiro, tão comum, todos o fazemos é verdade. Não é este "pensar" de que falo ou escrevo, mas sim do que de mais profundo nos vai na alma.
Quantas vezes vamos ao fundo dos nossos sentimentos, porquês, acções, decisões, palavras?
Porquê deixar de identificar aquilo que somos, aquilo em que acreditamos, o que nos move e deixa felizes?
Porquê fazer questões se não tiramos tempo para encontrar respostas?
Sim, tudo precisa de tempo e consciência e nada se adquire sem esforço e sem paixão.
Por isso amigo, não se esqueça: faça transpirar a alma por exercitar o pensamento e verá que vale a pena navegar em nossa própria direcção.

Enviado por: Séfora R.

03 maio, 2009

Luz de Mãe


Deste tudo o que tinhas:
Amor a quem amaste,
Vida aos que geraste,
Leite e pão aos que criaste,
Educação a quem formaste.

Tudo tendo o que tinhas dado,
Mais ainda deste!

Deste o que não tinhas:
A Luz das letras e dos números,
Que deste com suor suado
Em lágrimas lavado!


J. Rodrigues Dias
2009-03-07

28 abril, 2009

Medo(s)


Vivi numa casa, com outros Colegas Estudantes,
Onde teve que se esconder alguém que,
Apenas por querer ser livre
Num país amordaçado pelo regime,
Estava a ser perseguido pela polícia política.

É verdade que havia
Prisões políticas, tortura e mortes.
Era assim que a morte saía à rua.
Como o sabias tu, Zeca Afonso!

Sem medo,
Muitos estudantes e professores ousaram lutar
E, naturalmente, vencer.
Quem sabe faz a hora,
Não espera acontecer...

Passados trinta e tal anos,
Vivo numa sociedade formalmente livre,
Mas terrivelmente amordaçada
Por cada um de nós, dentro de nós.
Sociedade amordaçada por todos nós,
Mesmo por quem antes,
Na convicção do vencer,
Ousou lutar e, naturalmente, vencer.

Pobre de ti, Universidade,
E pobre de ti, País,
Que vives, que nos fazes viver,
Neste mundo diluído,
Difuso,
Politicamente correcto,
Que te convém, que nos convém,
Onde tudo é nada, onde nada é tudo.

Onde estão, Universidade,
Os Princípios e os Valores que te geraram,
Que tu geraste,
Que são a semente, a flor, o fruto
E, de novo, a semente?
Já reparaste, Universidade,
Que os Princípios são o que está
Necessariamente no princípio?
Cito de cor S. João Evangelista:
"No início era o Verbo.".
E já reparaste que os Valores
São o que perenemente vale,
Mantendo-se,
Sem princípio nem fim,
Fazendo do homem o Homem?
E já reparaste também que as coisas
Verdadeiramente sábias, fortes e belas
São sempre simples?

Lembras-te,
Por exemplo tu, Albert,
Da tua incrivelmente simples
Fórmula da energia e da massa?
Não, Albert,
Não me refiro à "massa" de hoje,
Que essa não cria energia,
Apenas dependência, dependências...
Que, por inércia, nos matam.

Te matam, Universidade,
No teu próprio princípio,
Criando ao mesmo tempo
Pequenos saberes e grandes ignorâncias.
E uma grande riqueza e uma imensa fome...

Estás, estamos, no meio da ponte.
Aquando de Bolonha,
Fugiste para a frente.
Agora parece que te queixas...

Que agora não fujas para trás,
Renegando no teu próprio Ser
Os Princípios e os Valores,
Amordaçando-nos dentro de nós.

Sê tu
E sê livre!

Seremos livres
E seremos Universidade!


J. Rodrigues Dias
2008-02-15

22 abril, 2009

Descobrir


Mestre,
Ideias novas não surgem,
Apesar de tanto pensar!

Apesar de tanto pensar,
Ideias não emergem,
Mestre!

Olho de um e de outro lado,
Como me tens tanto ensinado,
Olho o caminho já caminhado,
E nada, nada de novo vislumbrado!

Que problema, mestre!

Estou cansado, olhos sem ver, enraivecido,
Quase tudo me parecendo ter esquecido;
Mas lembro-me de ti a dizer
Que solução há-de haver!

Dizes-me que talvez este ainda não seja
O tempo para o meu fruto colher,
Por tempo ainda o fruto não ter
Para, naturalmente, amadurecer.
Dizes-me ainda que tranquilo esteja
E a reflexão ao sol deixe a aquecer.

Olhos semi-cerrados,
Abertos e fechados,
Vendo sem ter de ver,
Por profundo saber,
Em sábio gesto de mundo abarcar
Dizes-me ainda para descansar e olhar!


Olha!

Olha a borboleta lá fora,
A chamar-te,
A voar na primavera,
Voando de flor em flor,
Em hino ao amor.

Olha,
Faz isso, vai com ela,
Procura a luz,
Olha o céu,
Voa, voa, voa,...
E volta,
Tranquilo!

Volta então à tua reflexão.
Fixa bem os pressupostos,
Define bem os objectivos
E parte, decidido, a caminhar,
À procura da certa solução
Que decerto vais encontrar.

Minimiza o duro caminho,
Que é duro o caminho
E, quantas vezes, difuso,
Em nevoeiro escondido.

Chora quando tiveres que chorar!

Vê os desvios do caminho,
Assinala-os com raminhos de acácia
Mas não te desvies do traçado primordial.

Talvez a eles possas voltar mais tarde,
Quem sabe se para muita sede
Poderes então saciar em inesperadas fontes
Que neles poderás então encontrar,
Para novas lágrimas poderes chorar!

Mas não te deixes agora inebriar.
Olha os pressupostos e os objectivos;
Olha apenas o caminho principal,
O caminho principal!

Ao caminhar,
Faz como o vedor,
Mesmo que nele não acredites;
Sente os sinais,
Mesmo que sinais
Não te pareça encontrar.

Há sempre sinais!

Vai caminhando,
Pára de vez em quando,
Refresca a mente,
De lágrimas eventualmente,
E sente!

Há sempre sinais!

Sente o pulsar do coração
E o pular do pensamento!

Caminha e sente,
Que há sempre sinais!

Há sempre sinais!

....

Sim, mestre,
Estou a sentir,
A ver afloramentos,
A fazer acontecimentos,
A descobrir!

Obrigado,
Mestre!

2009-02-20
J. Rodrigues Dias

1.ª Fotografia - Pormenor lateral da Igreja Matriz de Torre de Moncorvo.
2.ª Fotografia- Pormenor numa Capela de Felgueiras.

04 março, 2009

Peredo dos Castelhanos, 28 de Fevereiro de 2009

A minha escola era bonita.
Foi nela que descobri as palavras
Os números, os jogos, as cores,
Amigos, amigas ... amores.
Nela não havia tempo,
Porque o tempo era infinito.
Nela não havia espaço
Porque era todo o espaço
Necessário para ser feliz.
Havia flores todo o ano!
No Inverno, de amendoeira,
Mas também de lírios, lilases,
E mil pétalas de roseiras.
Hoje a minha escola está bonita
Brilha de tão caiada
Mas o silêncio é grande...
Ninguém fala, ninguém corre,
Falta-lhe a garotada.
Fecho os olhos...
Lá estão eles, muitas faces a sorrir!
Há muita vida na escola,
Sempre que eu quiser cá vir.
A minha escola é a mais bonita do mundo.

Carlos Santos

14 setembro, 2008

P’ra lá do portão



P’ra lá do portão,
Onde o tempo se apaga,
E a luz se acende,
O espírito ascende.
Sobe a montanha,
Que o sol afaga,
P’ra lá do portão.
Porta da vida,
Entrada, saída,
Por lanças guardada.
Ponto de encontro,
Do tudo, e do nada.

18 maio, 2008

Sentinelas


Sentinelas que me olhais
Do alto dessa igreja
Revestidas de silêncios
- De que crimes me acusais?
Há séculos que aqui estais,
E eu ainda agora cheguei!
Já vos olhei ao sol pôr,
Recortei-vos contra o céu,
Com o ouro me ceguei.
Não sei ...
Será que é olhar de amor
E a sentinela sou eu?

11 maio, 2008

De todas as mil formas


Perdido no verde dos freixos e salgueiros,
Embalado no canto do papa-figos e do rouxinol
Comi amoras, molhei os pés,
Ouvi a música do rio e ribeiros.
Colhi um ramo de buxo.
Com alecrim o perfumei.
Juntei-lhe pérolas de cor,
Jóias de cheiros,
De todas as mil formas que encontrei.
E quando em minha mão já não cabia,
Coloquei-o de mansinho na corrente.
Fiquei a olhá-lo, enquanto se perdia.
Foi-se, fiquei contente.
Como posso eu querer guardar
Toda a beleza que a Primavera tem para dar?

Rio Sabor, Maio de 2008.