Apesar da muita chuva que teima em não nos deixar descansados, as muitas amendoeiras que ainda resistem nos magros solos do concelho cobrem-se do seu manto branco, só para nos deliciarem.
Para acompanhar estas fotografias, não encontro melhor do que o poema de Júlia Barros Biló, do seu livro Somos Poeira, Somos Astros, do qual transcrevo uma "pétala" com a devida vénia à autora.
Quisera ser pintor
Para na tela deixar o deslumbre
Do branco único, perdido,
Em cada pétala da flor
de amendoeira.
Da levíssima pincelada rósea no anel
Dos estames sedosos, cor de mel;
Do brilho translúcido, macio
Como afago de um beijo sentido
Num sonho fugidio.
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08 março, 2010
10 agosto, 2009
Cão de fora

“Quando olhamos para alguém, logo julgamos sem conhecer.
Por vezes julgamos mal somente pelo parecer.
Com o tempo conhecendo a pessoa, vemos que nos tínhamos enganado a seu respeito, por isso mais vale não julgar, mas aprender a conhecer e cultivar a amizade.
Curiosa terra esta de gente fina e sabida, quando cheguei a Moncorvo, já lá vão 13 anos, todos me olhavam com curiosidade e até agressividade.
Com o tempo foi sendo conhecido e adoptado, até que um dia um já falecido Sr. me chamou cão de fora.
Tais palavras ainda hoje me ecoam na cabeça, como que me lembrando que não pertenço aqui.
O certo é, com o tempo já não sei de onde sou.
Hoje de uma Moncorvense tenho um filho que se afirma Moncorvense também, ficando cada vez mais as minhas raízes enraizadas nesta terra.
Serei cão de fora ou já da terra?”
Solitário
(Enviado por email)
Fotografia: Cachorro de olhar meigo, em Peredo dos Castelhanos.
27 junho, 2009
A vida está difícil

I
Já trabalhei em muito lado
que já me sinto cansado
de lutar para viver,
não sou pobre nem sou rico
mas ao pensar na vida fico
sem saber o que fazer.
II
O viver é um prazer
se houver saúde e não se sofrer
mas hoje o mundo é castigado,
o viver bem é um brio
e para a vida um desafio
para se esquecer o passado.
III
Foi a minha mocidade
bonita na verdade
alegre e bem sucedida,
trabalhar era o meu lema
a humildade foi o sistema
que me fez alguém na vida.
IV
Hoje é difícil viver
mas ainda não quero morrer
quero gozar da liberdade,
ainda quero ver e sentir
a minha vida a sorrir
com saúde e felicidade.
V
Muita gente se anda a queixar
dizendo que a vida está a piorar
está difícil viver,
o trabalho está a fraquejar
aonde se vai chegar
não ganhando para comer.
VI
Invejosos e falsos amigos
são atropelos e inimigos
sem se dar a perceber,
a vida está ficando ingrata
está boa para os de gravata
que ganham bem para viver.
VII
Quanta gente neste país
vive triste e não feliz
e não goza de alegria,
já nem a saúde resta
esta democracia não presta
está podre e doentia.
VIII
Haverá muito que sofrer
se o mundo não se entender
porque o amor está a acabar,
mas são os que mais ganham
os que mais arrebanham
e os que sabem roubar.
IX
Amigos já há poucos
os homens vão ficando loucos
pela ambição do dinheiro,
já não existe amizade
só há inveja e falsidade
Vive-se num mundo matreiro.
X
Hoje é difícil viver
o que devemos fazer
é pedir a quem nos pode ajudar,
porque não há justiça pela razão
nem bondade e compreensão
já pouca gente sabe amar.
J. M. R.
Abril de 2009
Fotografia: Estendal em Peredo dos Castelhanos.
25 março, 2009
Peredo: segundo olhar
Agora que consegui "desviar os olhares" para Peredo dos Castelhanos, mostro outra característica da aldeia (não difere muito de outras do concelho): as casas são muito humildes, feitas de xisto. Nalgumas pedras encontramos sinais enigmáticos, marcas de gerações. Na porta lateral da igreja há uma mensagem escrita já bastante deteriorada. Alguém a decifrou? Porque está ali?
24 março, 2009
Olhares (Peredo dos Castelhanos)
Num momento em todos parecem tão inspirados (será da Primavera?) apeteceu-me tentar "trocadilhos" com esta fotografia tirada em Peredo dos Castelhanos. É que também há poesia no olhar, de quem fotografa, e de quem vê.Trata-se do Alberto Mandelo, ex-emigrante, com casa logo ao cimo da aldeia, com pequena piscina e grandes horizontes vistos do seu quintal, de regresso a casa em hora crepuscular, a hora do Peredo, um inexorável entardecer da gente.Rogério Rodrigues
Tudo é difuso, até as duas presenças ao longe, como que desfocadas na névoa do tempo em que vai mergulhando o Peredo.
Conheci-o de novo, ao Alberto Mandelo, um mouro de trabalho numa servidão quotidiana de que se libertou, como tantos outros, rumando em direcção à França.
Mas nesta serenidade de tempo morto em que só a camisola é cor e os alforjes claridade, observe-se a coexistência da besta com o tractor, o xisto com o poste de electricidade, a janela de persianas brancas, o automóvel e a beleza crua da árvore despida à espera da Primavera (a única que se renova naquela geografia temporal).
É todo o universo da aldeia numa fotografia a que só falta o cão. O rosto olha mais para dentro do que para a parede escura. Como se não tivesse outro horizonte além dele mesmo.
Só o humano tem vida e cor nesta usura do tempo. Um tempo parado. Um tempo à espera que o tempo acabe.
É um olhar melancólico sobre a minha aldeia. Um olhar de que comungo.
06 março, 2009
Detalhes em Ferro 3
Nem só o que é velho e ferrugento chama a atenção do fotógrafo (embora isso aconteça com muita frequência). Os Detalhes em Ferro da fotografia (ferro fundido e ferro forjado), foram captados em Peredo dos Castelhanos num portão muito, muito recente.
04 março, 2009
Peredo dos Castelhanos, 28 de Fevereiro de 2009
A minha escola era bonita.Foi nela que descobri as palavras
Os números, os jogos, as cores,
Amigos, amigas ... amores.
Nela não havia tempo,
Porque o tempo era infinito.
Nela não havia espaço
Porque era todo o espaço
Necessário para ser feliz.
Havia flores todo o ano!
No Inverno, de amendoeira,
Mas também de lírios, lilases,
E mil pétalas de roseiras.
Hoje a minha escola está bonita
Brilha de tão caiada
Mas o silêncio é grande...
Ninguém fala, ninguém corre,
Falta-lhe a garotada.
Fecho os olhos...
Lá estão eles, muitas faces a sorrir!
Há muita vida na escola,
Sempre que eu quiser cá vir.
A minha escola é a mais bonita do mundo.
Carlos Santos
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