Pormenor de uma fonte no Felgar.
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20 junho, 2009
16 junho, 2009
Estão as fontes entupidas

I
Moncorvo tem muita fonte
Mas nenhuma está a correr
Vêm os passarinhos do monte
E não têm água para beber
II
Que está a fonte da Praça a fazer
Triste sem se poder queixar
Por não ter água a correr
Está-se a degradar
III
A antiga Fonte de Sto. António
Também deixou de correr
Pobre é o nosso património
Que estão a deixá-lo morrer
IV
Colocam a fonte na Praça
Para lembrar o antigamente
Mas não tem nenhuma graça
Sem ter água corrente

V
A fonte da Corredoura
Era das mais privilegiadas
Varrem-lhe o lixo à vassoura
Por ter as torneiras fechadas
VI
A da Praça das Regateiras
É de todas a mais pobre
Serve para fazerem asneiras
E ter lixo que lhes sobre
VII
A fonte das Aveleiras
É a única que está a correr
Agradecem as pombas da igreja
Para irem lá beber
VIII
Não há água para beber
Nenhuma água é boa delas
Deve-se reconhecer
Que a melhor é das Lamelas
José Manuel Remondes
24 maio, 2009
Chafariz Filipino
Em 1549, o cronista João de Barros noticiava que a vila de Moncorvo possuía "hu Chafariz de mais de quarenta palmos (...) no meio da Praça". Naturalmente que não poderia ser o actual chafariz, que tem gravada a data de 1636.Nem sempre foi fácil conseguir trazer a preciosa água da serra até à vila. Houve problemas com a comunidade franciscana do Convento de São Francisco que reclamava a posse das nascentes da serra.
Em 1628 a Câmara de Moncorvo arrematou a obra do chafariz ao arquitecto António Fernandes, que levaria cerca de dez anos a ser terminada. Em 1887 o chafariz da praça seria destruído por ordem do então presidente da Câmara, António Pontes e as diversas partes andaram aos tombos por vários locais da vila (daria um bom conto).
Há alguns anos a Câmara de Torre de Moncorvo realizou um projecto público com vista a reconstruir o chafariz, aproveitando os elementos originais que estavam na sua posse, sendo o conjunto reposto na Praça Francisco Meireles.
O chafariz insere-se num tanque de formato quadrangular, assentando sobre uma base quadrada. No primeiro registo forma um depósito bolboso decorados com uma carranca, da qual jorra a água. Sobre este foi edificado um pináculo, que remata a estrutura. Na base do conjunto foi gravada a inscrição "FEITO NO ANO DO SENHOR DE 1636 POR ORDEM DE DOUTOR JULIÃO DE FIGUEIREDO, PROVEDOR E CONTADOR NESTA COMARCA, À CUSTA DO POVO".
Este chafariz está classificado como Imóvel de Interesse Público.
Fonte do texto: IPPAR
03 fevereiro, 2009
Capelas no Larinho (1)

Tenho a sensação que o Larinho é uma aldeia com uma forte tradição de culto do divino. Um dos aspectos que me surpreendeu foi a quantidade de capelas espalhadas pelos bairros e largos.
A primeira fotografia mostra a capela do Senhor dos Aflitos (1896).
A segunda fotografia mostra uma representação nada simpática (como seria de esperar) das forças do mal, que faz parte de uma imagem da capela de Santo António, seguramente mais antiga do que a primeira.
23 janeiro, 2009
Pelourinho de Mós
O Pelourinho de Mós, possivelmente construído no Séc. XVI, perdeu-se na memória e no tempo. Quis o destino que em 1992, seis das pedras que o constituíam fossem encontradas num muro da aldeia.Hoje, o pelourinho está lá, na praça, enchendo de orgulho os mozeiros, que não se cansam de falar da Antiga Vila de Mós. Esta é só uma amostra do muito que há para "descobrir" nesta aldeia que já foi sede de concelho.
27 outubro, 2008
Fonte da Lamela/Fontela?

O diálogo sobre a fonte que existe junto à estrada nacional no Carvalhal está tão interessante, que não resisto a colocar mais uma fotografia. Esta permite ler a inscrição que dá algumas pistas da sua origem.
É verdade que a linha chegou a Carviçais em 1911 e a fonte tem gravado o ano de 1744! Porque picaram a coroa do rei de Portugal? A fonte foi mesmo propriedade da CP? Estas e outras questões são muito interessantes. Não esqueçamos que o Blog se chama À Descoberta...
20 junho, 2008
18 junho, 2008
14 junho, 2008
Entre a ponte do Sabor e as ruinas da Vila Velha

O desafio de partir À Descoberta do concelho de Torre de Moncorvo, não tem nada de difícil, só é necessário partir. Desta vez escolhi dois motivos bastante próximos: a Ponte do Sabor e as ruínas da Vila Velha de Santa Cruz.
A tarde não estava muito convidativa. Quem vive ou já viveu em Moncorvo, sabe o que significa fazer calor, nestas paragens! Talvez por isso, o Rio Sabor já era frequentado por um número considerável de pessoas, a pescar, a brincar na água, ou mesmo a apanhar sol, que apesar de encoberto, cada vez que se mostrava, “queimava” a pele.

Parei o carro mesmo junto à ponte do Sabor, na EN325. Esta foi intervencionada recentemente, ao nível dos pilares, do tabuleiro, da pavimentação e dos passadiços marginais, estando agora com um aspecto impecável. A ponte mostrava já o peso da idade, apresentando mesmo algum risco ao trânsito. O seu futuro é incerto. Não “encaixa” no traçado do IP2, e, com a tão badalada Barragem do Sabor, corre o risco de ficar submersa. Na estrada, entre a ponte e a Quinta da Portela está marcada nas rochas, a cal, a cota 139 metros. Terá essa marcação algum significado? A ter, a água chegaria muito perto das casas da Quinta da Portela!

Desci ao rio a jusante da ponte. Um casal de aves de rapina fazia um gracioso bailado e enormes peixes debatiam-se nas águas pouco profundas sobre um banco de areia ali próximo. Penso que a época da desova já passou!
Disparei algumas fotografias em direcção à ponte. A sapata dos pilares foi reforçada e todas a juntas estão tapadas. Os sete arcos de volta redonda são desiguais. Há olhais rectangulares sobre cada um dos fechos dos arcos. Os passeios apoiam-se numa cachorrada, como a que existe em algumas igrejas! As guardas são de ferro, novas. As antigas foram substituídas na última interverção. A ponte foi construída na idade média, mas foi alterada no Séc. XIX. O seu aspecto a montante e a jusante, é bastante semelhante, à excepção dos contrafortes do arco central que apresentam reforços, a montante.

Na erva verde da margem do rio encontrei as primeiras flores de fel-da-terra (Centaurium umbellatum), com o seu rosa característico, que encontraria em quantidade no alto do cabeço.
A subida até às muralhas da antiga vila de Santa Cruz da Vilariça, Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça ou Derruida, foi penosa. Caí na asneira de ir de calções. Além dos danos causados nas pernas, cheguei ao fim do passeio com quase meio quilo de sementes espetadas nas sapatilhas e nas meias, de cada pé! Apesar de a pujança de Maio e Abril já ter passado, ainda há muitas plantas em flor e rapidamente me esqueci das dificuldades, para começar a desfrutar do passeio. Encontrei muitas borboletas, abelhas, aranhas e toda a qualidade de bicharada. Também o cuco fazia ouvir o seu canto lá para os lados das Cabanas. O perdigão procurava parceira num monte próximo. À medida que ia subindo, ia-se alargando o horizonte e compreendi porque razão o homem aqui se fixou, desde o Séc. XII.

Não foi a primeira vez que visitei estas ruínas, já aqui tinha estado em 1992. Sempre gostei de passear nestas montanhas! Tinha prazer em fotografar os lírios em flor, que aqui abundam. Curiosamente encontrei frutos com sementes de lírio (Iris germanica), estava convencido que apenas se reproduziam por caules (rizomas)!
As ruínas da vila, que além das designações que já disse contou ainda com a de Vila Rica, Mesquita, Roncal e São Mamede, estão situadas num cabeço com 245 metros de altitude, entre a Ribeira da Vilariça e o Rio Sabor. Estranhamente poderá ter sido esta proximidade a tanta humidade que ditou a sua morte, contrariamente à lenda do ataque de formigas, que já tantas vezes ouvi contar.
No início do séc XIII Vila de Santa Cruz da Vilariça, recebeu, de D. Sancho II, uma carta foral que lhe concedia importantes isenções a regalias fiscais e penais. A mudança da população para Torre de Moncorvo deve ter-se dado no final desse século, sendo possível que os dois povoados tenham coexistido.

A localidade tinha muita importância, era sede de concelho na Idade Média, abrangendo parte dos actuais concelhos de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Torre de Moncorvo.
Percorri toda a plataforma antes de me dirigir ao ponto mais alto, ao centro. A muralha ainda está bastante preservada, tem vários metros de altura nalguns locais, sendo ainda intransponível. Há pontos em que se distingue mais de uma muralha. A poente são bem visíveis os restos de dois torreões, circulares, que deviam ladear a única entrada. Em vários pontos distinguem-se restos de paredes de casas e de caminhos.

Por fim, dirigi-me ao ponto mais elevado das ruínas. Aqui existem sepulturas escavadas nas rochas, junto do local onde se pensa ter sido a igreja. Ainda se distinguem algumas paredes e encontrei blocos de granito rusticamente aparelhados. Todas as muralhas e paredes interiores são construídas em xisto, por isso chama a atenção a existência de granito neste ponto. Também há argamassa presa a algumas pedras, não sei se se trata de cimento. É um sinal mais do que evidente da existência de uma construção até uma data bem recente. Não me admirava que depois da vila ter sido abandonada, aqui se tenha mantido a igreja, ou uma capela, durante vários séculos.

Já por diversas vezes aqui foram feitas escavações. É uma pena não haver um estudo mais aprofundado deste local. Imaginei-me a participar nas escavações, deve ser muito interessante esse tipo de trabalho.
O local está em completo abandono. Cresce mato por todo o lado e, mesmo para aqueles que se interessem em o visitar, não é uma tarefa fácil. Pior do que subir ao local, que pode ser feito por um caminho partindo da Quinta da Portela, é a circulação em volta e no interior das muralhas. Nalguns lugares é mesmo impossível circular.Do alto do cabeço tem-se uma vista ímpar sobre o vale. Procurei um lanço de muralha mais segura e instalei-me para saborear o final de tarde. Não pude deixar de sorrir com a velocidade com que os veículos circulam ao longo do vale! O som do acelerador a fundo perturba a calma do morro. Que feliz me sinto por poder desfrutar destes momentos de paz!
O sol foi-se encolhendo. A luz subiu pelo Reboredo acima com a mesma calma com que as águas do Sabor se diluíam no Douro, lá ao fundo, na Foz. Os insectos pareciam agitados, tentando aproveitar os últimos raios de sol. Também eu queria aproveitar todos os momentos. Liguei o flash e “persegui-os”, até nos momentos mais íntimos.

Quando só já havia silêncio em redor, desci a encosta, de novo em direcção à Ponte do Sabor.
Não me arrependi das escolhas que fiz para este passeio. Dividi-me entre a ponte e a vila, entre a água e a montanha, entre a história e a suposição, entre a beleza das pequenas formas de vida e a imensidão de um vale que nos surpreende e encanta, sempre que paramos para o olhar.
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